
30 de Agosto de 2010 - por Emiliano José
Olhe para o lado. Salvador está à beira do colapso. Uma cidade inteira
submetida a um prefeito que não governa. E quando governa, governa para
grupos econômicos. Vá à avenida Paralela. A cidade vai suportar tantos
veículos daqueles edifícios? E nas demais avenidas? E na Garibaldi? E na
Orla?
O engarrafamento enervante revela a construção desordenada
de edifícios e a incompetência em construir um metrô. Se a classe média
já não suporta Salvador em colapso, imagine o que se passa na avenida
Suburbana, nas Cajazeiras, em Itapagipe, na Estrada Velha do Aeroporto,
na Salvador das periferias.
O desatino é tão grande que a
destruição das áreas verdes na Paralela está provocando a invasão dos
bichos nas residências. Até o Parque da Cidade está sendo atacado e
retalhado.
E o prefeito João Henrique Carneiro está preocupado
com quê? Xixi nas ruas. Não é piada, não. É trágico. Não podemos
suportar mais a prefeitura a serviço dos grandes interesses privados.
Não haverá solução para a violência que tomou conta de Salvador sem um
plano para erradicar a pobreza nos bairros populares, nas encostas,
invasões. Precisamos de políticas sérias de planejamento urbano.
A
saída para Salvador não está na demagogia barata de um prefeito que
acha que administrar é fazer apenas praças que afundam com chuvas. O
desafio é maior. Implica em políticas de segurança alimentar, trabalho,
moradia, saneamento básico, mobilidade, saúde, educação, cultura,
esporte e lazer. Precisamos recuperar nosso direito à cidade, o direito à
nossa querida Salvador.
Reagir, organizar-se, mobilizar-se, propor
novas formas de existência – é o que devemos fazer. Estou nessa luta ao
lado do nosso povo, desde sempre. Meu mandato de deputado federal estará
à disposição da cidade, por uma Salvador humana, de todos.
Salvador está de um jeito que não serve nem para ricos, nem para pobres. Ainda dá tempo de salvar salvador.
16 de Agosto de 2010 - por Emiliano José
Não é mais possível imaginar o destino isolado das cidades da Região
Metropolitana. Discuto isso sempre em Salvador, onde moro. Quando
discutimos os problemas de Candeias, para além de seus aspectos
estritamente políticos, devemos fazê-lo olhando o conjunto das tantas
cidades que compõem a Região Metropolitana. Raciocínios exclusivistas,
que pretendem olhar apenas para o próprio umbigo, não resolvem nenhum
dos problemas dessas cidades. Sabemos que não são simples as questões
que envolvem os grandes centros urbanos. Ao contrário, creio que o
grande problema que vamos enfrentar em todo o mundo e de modo particular
no Brasil é o da crise urbana.
É nas cidades, particularmente
nas grandes e médias, que se acentuam hoje os grandes problemas do
Brasil. A maior parte da população brasileira, como se sabe, vive nas
cidades e, por isso, nossa atenção, não só a dos políticos, mas de todos
os que se preocupam com o destino do País, deve estar voltada para o
enfrentamento dos desafios que as grandes aglomerações urbanas colocam
para a Nação. Saneamento, habitação, segurança pública, lazer, cultura,
educação, transporte, tudo isso ganha contornos dramáticos nas grandes e
médias cidades nos dias de hoje. O destino de Candeias e de Salvador, o
de Camaçari, de Lauro de Freitas, de Simões Filho, de São Francisco do
Conde, de Madre de Deus, de São Sebastião do Passe é um só.
É
urgente retomar a idéia de Região Metropolitana, retomar a idéia de um
planejamento global para toda essa região. Sem isso, nós não
enfrentaremos os problemas de cada município. O prefeito, a prefeita são
sempre tentados a olhar para sua cidade, a fazer coisas, obras, sem que
olhem para o conjunto, para o entorno, para os seus vizinhos, e com
isso não percebe que os problemas se acumulam independentemente da
lógica exclusiva de seu município. A solidariedade entre as
administrações é uma maneira de fortalecer a solidariedade entre os
moradores dessa complexa Região Metropolitana.
Publicado na revista Única (nº1) – Agosto de 2010
13 de Agosto de 2010 - por Emiliano José
Euclides Neto foi um homem de muitas vidas. Não sei se falo do escritor, do político, do pai, do criador de cabras, do marido apaixonado. E nem sei como o defino. Quem sabe como um marxista ghandiano. Ou como um budista guevariano. Sei, bem sei, que num País como o nosso, talentos e pessoas como ele, situados na periferia Bahia, não são tão conhecidas. Lembro-me de Osório Alves de Castro, extraordinário romancista das beiradas do Rio Corrente, também na Bahia, elogiado por Guimarães Rosa, e cujas referências são raras. Não importa. Quero falar de Euclides Neto, que foi também um precursor da reforma agrária, um missionário dedicado à distribuição da terra. Quem sabe contribua para torná-lo mais conhecido, para honrar a memória de um homem singular, cuja passagem pelo mundo deixou marcas profundas.
12 de Agosto de 2010 - por Emiliano José
Serra tem um programa secreto. Ele esconde o programa como esconde Fernando Henrique Cardoso. Não está certo. FHC foi o mais fiel intérprete do programa (agora secreto) do candidato Serra: defensor do Consenso de Washington, submissão ao capital internacional e ao FMI, gerente das privatizações. Será porque o programa neoliberal e seu eficaz gerente faliram três vezes o Brasil? Ao esconder seu programa, Serra fica refém de um discurso das trevas, de direita, ataca o MST, mente sobre o PT e as FARCS, inventa dossiês. Não pode dizer que vai privatizar o Banco do Brasil, a CEF e a Petrobras. Sem poder debater seriamente, Serra fica refém de um pobre slogan publicitário.
4 de Agosto de 2010 - por Emiliano José
Não seria nada demais se a jornalista Dora Kramer declarasse que é uma
adepta fervorosa das concepções neoliberais, que é militante da frente
demotucana, que vota em Serra. Nada demais. O que impressiona é que ela
seja tudo isso, e exerça o seu ofício diário como se fosse uma
observadora imparcial dos acontecimentos. Nada mais falso. Ela sequer
toma cuidados formais, sequer simula algum distanciamento, sequer segue
os manuais de jornalismo, que recomendam fidelidade aos fatos. Dora
Kramer tem lado, tem posição política, e, o que é pior, deixa trair
permanentemente uma raiva incontida contra o PT, contra Lula, contra
quaisquer projetos de transformações da realidade brasileira.
O
artigo dela do último domingo, 1 de agosto, publicado em A Tarde, é a
revelação do quanto ela milita a favor da frente demotucana, do quanto
defende Serra, e quando ela cultiva de preconceitos, de discriminação
contra aqueles que eventualmente pertençam ao mundo culto, do qual ela
acredita, isso, acredita mesmo, fazer parte. E um texto que mostra que
tipo de concepção ela possui de liberdade de imprensa. É como se ela
dissesse: não importa que a imprensa minta, difame, calunie, fuja dos
fatos. Ela pode fazer tudo isso sem que se submeta a quaisquer controles
por parte da sociedade.
Ela faz parte daquele time de
jornalistas que acreditam ter parentesco com Deus, com alguma entidade
divina, que não podem ser questionados. A imprensa aparece para esse
time como uma instituição acima da sociedade, que tudo pode, inclusive
tomar posição política sem se revelar, e falar o que quiser e bem
entender, e mentir, deturpar, caluniar, sem que nada lhe aconteça. Por
isso, celebrou o fim da Lei de Imprensa, decretado pelo Supremo Tribunal
Federal no ano passado. O Brasil é o único país dos inscritos na ONU a
não contar com uma Lei de Imprensa. Por isso, agora, mais do que antes, o
cavalo desembestado da mídia pensa poder fazer o que quiser.