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00:00 | 17 de Março de 2010

Biblioteca Campesina é patrimônio cultural

Biblioteca Campesina é patrimônio cultural do Brasil, diz Emiliano

A comemoração dos 30 anos da Biblioteca Campesina, localizada no município baiano de Santa Maria da Vitória, foi destacada pelo deputado Emiliano José (PT-BA) em discurso na Câmara Federal (dia 16). Segundo ele, a Campesina “já é uma instituição cultural profundamente respeitada pela sua cidade, pelo grande Oeste da Bahia e admirada por amigos no Brasil e no exterior”.

“A Campesina tornou-se um dinâmico centro cultural de esquerda, uma casa da cidadania. Com aproximadamente 30 mil títulos, a Campesina é, inegavelmente, e definitivamente, patrimônio dos povos da Bacia do Rio Corrente. Desejamos longa vida à Biblioteca Campesina, fiel às melhores tradições de Santa Maria da Vitória, berço de tantos lutadores e artistas”, ressaltou.

Emiliano lembrou do surgimento da Biblioteca, no dia 15 de fevereiro de 1980. “Era em pleno carnaval, chuvinha intermitente, uma dezena de amantes da cultura, a maioria jovens, inaugurava a Biblioteca Campesina, num espaço reduzido, de 2 metros por 1. Três caixas de maçã serviam de estantes. A biblioteca nascia às margens do Rio Corrente povoado de carrancas de Francisco Biquiba de La Fuente Guarani. E nascia, também, à margem do poder de então. Aliás, nascia como uma forma de combater o poder de então. Combater com livros, com a leitura, com a cultura”.

“Era ditadura, sabemos nós. Com toda sua agressividade. Com a agressividade dos coronéis. Era tempo de um coronel no governo. Era tempo dos inimigos da cultura, especialmente da cultura popular. Pouco a pouco, passo a passo, a Biblioteca Campesina foi se impondo e hoje é uma das maiores e melhores instituições da área no Oeste. Costumo dizer que ela é a maior e melhor biblioteca pública e não-estatal do Oeste da Bahia. Uma das melhores do Estado. É mais uma inestimável contribuição de Santa Maria da Vitória à Bahia”, acentuou.

O deputado destacou que a Campesina conta com muitas obras raras, e que não foram poucas, as dificuldades financeiras e políticas enfrentadas para que ela se firmasse. “Os dirigentes da Campesina souberam enfrentar e afrontar tais dificuldades. Juntaram forças em Santa Maria da Vitória e nos municípios vizinhos, atraíram a solidariedade de companheiros simpáticos à iniciativa fora da região, chegando a sensibilizar muitas pessoas de outros estados e até do exterior”.

Emiliano concluiu: “Parabenizamos, com amizade profunda, o nosso companheiro Joaquim Lisboa Neto, Kinkas, notável exemplo de agitador cultural, intelectual, militante abnegado de esquerda, e presidente da Biblioteca Campesina, além de, neste momento, ser coordenador municipal de Cultura de Santa Maria da Vitória, hoje município dirigido pelo caríssimo amigo Padre Amário, do PT. Kynkas tem sido um quase profeta. Profeta da cultura. Quando tudo parecia escuro, ele pegou sua lanterna e saiu iluminando os caminhos do povo. Parabéns, Kynkas”.

Confira o discurso na íntegra
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