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Violência e criança
A violência contra a mulher e a criança tem me impressionado de modo muito especial nos últimos tempos. Houve meses em que muito raramente não se via a notícia da morte de uma mulher por seu companheiro, marido, namorado, o que fosse. Ou violência decorrente de alguma briga ocasionada por alguma divergência, no mais das vezes trivial, ou, então, em conseqüência daquilo que o homem considerasse traição... - 14/07/2008
O inimigo mora ao lado
Há uma espécie perigosa de senso comum segundo o qual não se deve discutir o que ocorre entre quatro paredes. É como se no interior da casa de cada um tudo fosse permitido. E é nesse interior que se esconde um impressionante caudal de violência, que deve inegavelmente ser discutido pela sociedade e objeto de leis que o reprimam. Há, de modo particular, uma brutalidade criminosa e cotidiana contra mulheres e crianças. - 30/06/2008
Lições de paixão
Acabei de ler O Vermelho e o Negro. Recebi lições de paixões. De exercício político sobre paixões. Sthendal foi um ser atormentado. Quem quer que se debruce por sobre a história dele encontrará um ser apaixonado. Cultivava o vício de apaixonar-se. E bastava que o objeto de sua paixão atendesse aos seus clamores para que ele, incontinente, o deixasse de lado. Foram muitas as mulheres de Sthendal. - 16/06/2008
Celso Furtado, Brasil e Nordeste
No momento em que se discute a nova Sudene, não custa lembrar, com duas ou três palavras, a importância de Celso Furtado, que soube como poucos imaginar um Brasil republicano e democrático. Um livro editado pela Fundação Perseu Abramo, em 2000, resultado do seminário Celso Furtado e o Brasil, reúne densos depoimentos de Maria da Conceição Tavares, Juarez Guimarães, José Luís Fiori, Maria Regina Nabuco, Tânia Bacelar, Wilson Cano e Francisco de Oliveira sobre o extraordinário intelectual. - 02/06/2008
Rita e seu anjo Gabriel
Um espectro ainda parece rondar a sociedade brasileira: o espectro do Código de Menores, que vigorou entre 1927 e 1990. Naquele estatuto, crianças e adolescentes eram menores, imorais, e suas famílias, promíscuas, vadias, ociosas. Por isso, por essa condição, as famílias que vivessem sob o estigma da situação irregular – e veja que a chamada situação irregular sempre dependia do ponto de vista de quem a classificasse assim – aquelas famílias... - 19/05/2008
68: assalto aos céus
O passado não se entrega a nós: ele só nos envia sinais cifrados, que dão conta, misteriosamente, de seus anseios de redenção. Cada geração recebe uma escassa força messiânica para perceber esses anseios do passado. É a partir da nossa luta presente que podemos entrever a verdade das lutas que ocorreram antes. A recuperação do passado se dá na forma de recordações que cintilam num momento atual de perigo. - 05/05/2008
Ao Joca, com carinho
João Carlos Teixeira Gomes é um dos grandes nomes do jornalismo baiano. Tenho por ele estima e admiração. Cometeu equívocos, no entanto, no último artigo publicado neste jornal. Pretendeu contestar avaliação que faço sobre a grande imprensa no Brasil, inclusive sobre o Jornal da Bahia, quanto à atitude em relação à ditadura. - 21/04/2008
Um novo desenvolvimento
O século que passou foi marcado por uma específica noção de desenvolvimento: país desenvolvido era país industrializado, o que tinha que acontecer a qualquer preço. Não importava que isso acontecesse em prejuízo do meio ambiente que, aliás, nem era lembrado. O homem destruía a natureza com absoluta tranqüilidade, sem se perguntar sobre os impactos de longo prazo para a sobrevivência da humanidade. Era como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Uma idéia específica de progresso. - 07/04/2008
Novo Nordeste, nova Bahia
Já houve um momento, na história brasileira, em que o Nordeste era tema quase obrigatório. Discutia-se de modo amplo o destino da região. O debate girava em torno do descompasso entre o desenvolvimento do Centro-Sul e a pobreza nordestina. Às vezes, um debate equivocado, que escamoteava a lógica implacável da acumulação capitalista, que sempre implicou no chamado desenvolvimento desigual e combinado. - 24/03/2008
A política e o Judiciário
Em princípio, segundo os paradigmas do chamado Estado de Direito democrático, o Judiciário, de modo muito especial, deveria evitar imiscuir-se no território da política. Evidente, elementar dizê-lo, que qualquer ação humana é política, num sentido muito amplo. No entanto, há o campo específico da atuação do Judiciário que, por ser o julgador, deve evitar dar opiniões políticas, quanto mais quando elas se referirem a causas que podem vir ainda a serem julgadas. É esse o debate que envolveu nos últimos dias o presidente Lula e o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. - 10/03/2008
Amores, paixões, turbulências
Há um texto atribuído a Danielle Miterrand que me chamou a atenção de modo muito particular. Ela discute o amor. E o faz de modo surpreendente para os padrões a que nos acostumamos – ou que o senso comum nos ensinou a pensar no contexto de uma sociedade autoritariamente monogâmica. Quem entende ou pelo menos luta para compreender as variações do outro o ama realmente, dirá ela, para completar que, agindo assim, “nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou”. - 25/02/2008
O indivíduo e a história
Há uma reflexão que atravessa os séculos, aquela que pretende discutir o papel do indivíduo na história. Uma visão idealista leva ao raciocínio mítico de que o líder é o que determina o curso dos acontecimentos. Por isso, estamos acostumados a falar de períodos históricos vinculando-os a indivíduos, e não a movimentos sociais, às massas, que certamente são os que fazem a história. - 11/02/2008
Democratizar o carnaval
O encantamento diante de um texto como o de Ruy Espinheira nesse mesmo jornal sobre o carnaval pode provocar em nós reflexões semelhantes, voltando-nos para o passado. Como, no entanto, ele já navegou pelos carnavais que passaram, vou resistir à tentação e discutir o carnaval atual. - 04/02/2008
Havana, Besame Mucho
Havana. Faz frio. 1º de janeiro de 2008. Ano do cinqüentenário da Revolução Cubana. As ondas selvagens do Mar do Caribe jogam água no Malecon. Havana e suas ondas e seu frio evocam saudades. Envolvem o coração em lembranças de outros mares. A alma se distancia cada vez que o mar se confronta com a amurada, invadindo as ruas. Olho para a imensidão de mar, verde mar. Verde que te quero verde. Havana de Hemingway. De Martí. Havana de La Bodeguita Del Medio. De La Floridita. Do Lluvia de Oro. Havana Vieja. Poesia. Paixão. - 21/01/2008
Esquerda, fins e meios
Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária. O axioma é antigo, tem coisa de quase um século, vem de Lênin, e continua atual. É dele que parto para falar da herança stalinista, de que a maioria dos partidos de esquerda no Brasil não se livraram. São muitas as marcas teórico-práticas deixadas pelo modelo autoritário, centralizador que Stalin impôs na União Soviética, onde implantou um regime de terror e onde se praticou um autêntico genocídio. Nem sua morte, nem o Relatório Kruschev de 1956 foram capazes de condenar ao museu da História as idéias que ele executou por mais de duas décadas na antiga URSS. - 08/01/2008
Susto, normais, anormais
Curioso seja eu assaltado pela idéia do susto. É uma palavra bonita: susto. Cheia de imprevistos. Assusta. Outro dia falava dela, numa palestra no Ministério Público. O assunto era a imprensa e as pessoas com deficiência. O susto pode vir sozinho ou acompanhado. Pode ser um ou muitos. Pode ser uma ventania, anúncio súbito de vida. Pode ser puro assombro, acompanhado do medo. Pode vir de braços dados com quase pânico. E palavras são armas perigosas. Nós não temos noção da força que elas carregam. Nunca são proferidas impunemente. - 24/12/2007
UFBA: crise de transformação
Há um livro cuja leitura recomendaria a todos quantos queiram compreender como agem os setores conservadores, à direita e à esquerda, quando situações de mudança se apresentam. Não se trata de um texto muito grande, coisa de 150 páginas. É de Albert Hirschman, e leva o título A retórica da intransigência – perversidade, futilidade, ameaça. Quando o reli agora, pude entender melhor a crise de transformação por que passa a universidade brasileira e a UFBA em particular. - 10/12/2007
Simone de Beauvoir
Há mulheres cujas trajetórias me fascinam. Rosa Luxemburgo, que desafiou o seu tempo e alçou vôos inimagináveis para uma mulher naquela quadra histórica, uma delas. Agora, me vem à mente a lembrança de outra mulher que também deixou marcas profundas na história, com outro tipo de contribuição, não propriamente regada a sangue, como no caso de Rosa, assassinada por bestiais contra-revolucionários alemães. Falo de Simone de Beauvoir. - 26/11/2007
Mídia, Poder e Democracia
A criação de Observatórios de Mídia e sua articulação em redes devem ser estimuladas, de modo a que se possa acompanhar democraticamente as atividades da mídia no País. Por que, afinal, a mídia deveria ser uma exceção, constituir uma atividade sem qualquer acompanhamento social? - 20/11/2007
A coerência da mídia
O governo Lula tem sido absolutamente democrático em relação à mídia. Este é o primeiro ponto, para que não pairem dúvidas quanto ao ambiente em que vivem os meios de comunicação no Brasil. O segundo, sob outro ângulo: não há dúvida de que a mídia brasileira tem uma posição visceralmente contrária ao governo e de modo particular ao presidente Lula. Uma posição que deitou raízes históricas na primeira eleição que Lula disputou, em 1989, que se manteve coerente em todas as demais e se acentuou quando houve a vitória de 2002. - 19/11/2007
Bahia: democracia e república
No jornalismo e nas análises corriqueiras, há uma espécie de ditadura do fato. É como se nada pudesse ser julgado a não ser pelo fato, nosso algoz, demônio implacável do jornalismo e dos governos, embora, como se sabe, e se finge não saber, o fato é sempre resultado de uma interpretação. Abro assim o texto para falar do governo Wagner, que poderia ser analisado por essa lógica, e estaria bem, se assim o fizéssemos. Mas, para o bem ou para o mal, não quero ser prisioneiro dessa lógica. - 12/11/2007
A outra margem do rio
A questão da cultura no Brasil é a mesma da maioria dos brasileiros: a da inclusão, a da participação da cidadania, a da inversão de posições. Trata-se de romper a visão senhorial, oligárquica da Casa Grande. Trata-se de acabar com o patrimonialismo. Com o paternalismo. Com a idéia de que tudo nasce de cima... - 29/10/2007
Um novo ciclo
O País vive hoje o ciclo econômico mais virtuoso de sua história. Ao lado disso, as políticas sociais de inclusão no segundo mandato do presidente Lula tendem a alcançar uma extensão e qualidade sem paralelos em nossa história. E nunca nenhum governo combateu tanto a corrupção como se tem feito no governo Lula. Essas afirmações são do cientista político Juarez Guimarães, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, extraídas do artigo “A nova economia política do governo Lula”, publicado na revista Teoria e Debate, de julho/agosto de 2007, da Fundação Perseu Abramo. - 15/10/2007
Carisma, coragem e dignidade
Entre os dias 19 e 20 de setembro, o Departamento de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Estadual de Feira de Santana, teve a sabedoria de homenagear Francisco Pinto com o seminário “Chico Pinto – democracia e ditadura em Feira de Santana e no Brasil”. Visitei-o recentemente, um dia depois de ter participado de uma das mesas do seminário, ao lado de Élquisson Soares, Pedral Sampaio, Haroldo Lima e Rocha Martinez. Acamado, mas com a voz firme e o pensamento claro, conversamos durante um bom tempo. Tive a satisfação de ver os olhos de Chico Pinto brilhando, ao rememorar episódios de sua intensa participação política... - 01/10/2007
Veias abertas
Quando uma ferida está aberta, ela sangra. E incomoda. Por isso, talvez, o lançamento recente do livro Direito à Memória e à Verdade, feito pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do Governo Federal e que contou com a presença do presidente Lula e a participação de inúmeras entidades vinculadas aos direitos humanos e de tantos parentes de pessoas assassinadas pela ditadura, tenha incomodado tanto. Não há como esconder, jogar para debaixo do tapete os crimes de uma ditadura. Quem quer que tenha experimentado o terror de um regime assim, quem tenha sentido na pele a tortura, quem tenha enfrentado a dor de saber de um parente torturado, ou morto ou desaparecido, não há de esquecer. Nem tem por quê. - 18/09/2007
O veneno da Peñarroya
Em 1977, se a memória estiver funcionando bem, viajamos eu, Jorge Almeida, Linalva Maria de Souza e Milton Mendes Filho para Santo Amaro da Purificação. O objetivo era uma reportagem sobre a fábrica de chumbo da cidade, a Cobrac, que, segundo o que sabíamos, envenenava o sangue dos trabalhadores e degradava o meio ambiente. - 07/09/2007
Cidade, espaço da liberdade
Há algum tempo, manifestei a opinião de que as cidades brasileiras ainda não haviam encontrado seus intérpretes políticos radicais - e por radicais entenda-se obviamente o ir à raiz dos problemas. - 25/08/2007
Glória e fim do PCI
Os partidos não percebem sua própria decadência. Não têm consciência das transformações por que passam, como a história os marca, quais são suas possibilidades, seus limites temporais. Ao ler Forjando a democracia - A história da esquerda na Europa, 1850-2000 -, de Geoff Eley, essa reflexão me veio à mente por conta da história do Partido Comunista Italiano (PCI), hoje um pálido retrato do que foi, dividido em vários pedaços. - 15/08/2007
Discretas esperanças
Vivemos tempos em que a reflexão, o pensamento filosófico estão em baixa. O mundo transformado em mercadoria, a instantaneidade, a fugacidade como fenômenos presentes em nosso cotidiano. Tudo que é sólido se desmancha no ar e numa velocidade antes nunca vista. É o império do efêmero sob o capitalismo, e mais ainda sob o capitalismo que se recicla a cada minuto, capaz de produzir bens quase de consumo imediato. - 05/08/2007
Mídia, morte, absolvição
Ninguém deve celebrar a morte. E ninguém deve desrespeitar a dor de quem perde um ente querido. Trata-se aqui da análise dos fatos. Politicamente, a rigor, a derrota de ACM já havia acontecido. É estranha essa submissão da mídia, da recusa aos fatos indiscutíveis. A população, no entanto, já havia dito o que pensava dessa fase. Na Bahia e no Brasil. A mídia, tanto quanto absolve uns, condena outros, sem qualquer critério, salvo o dos interesses de classes. Lula venceu contra a mídia. Wagner, também. Por isso, a absolvição é da mídia. Não do povo, que já disse que pretende um outro tipo de liderança, democrática, não à imposição. - 31/07/2007
A Grande Feira
A Feira de São Joaquim é a ligação de Salvador com sua história mais profunda, com suas raízes, sua origem e atualidade negra. Se a palavra povo tiver alguma força conceitual, ela é um dos territórios sagrados do povo de Salvador e de todo o Recôncavo. É ponto de encontro. Por ela, é possível viajar no tempo. Ir e voltar. Revisitar a velha Salvador, olhar a nova imbricada com a antiga. - 27/07/2007
Criança, adolescente, ECA
Na sexta-feira, 13 de julho de 2007, realizava-se uma colorida, impressionante passeata pelas ruas centrais de Salvador, com a participação de mais de 12 mil pessoas, a maioria crianças e adolescentes, para celebrar o aniversário de 17 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sancionado no dia 13 de julho de 1990. A manifestação pretendeu destacar a importância do ECA na vida da juventude e da infância brasileira e foi dirigida pela ONG Ágata Esmeralda. - 22/07/2007
Mulheres na política
Quando o movimento de mulheres advoga políticas específicas, volta e meia aparece, à esquerda, a objeção de que a resolução da participação feminina se dá no âmbito da luta de classes. Esta é uma velha cantilena do mundo masculino, mesmo à esquerda, ressalte-se. Quem se der ao trabalho de ler o excelente livro de Geoff Eley - A história da esquerda na Europa, 1850-2000 -, editado pela Editora Fundação Perseu Abramo, poderá constatar como o movimento operário moderno, dirigido basicamente por comunistas e socialistas de diversos matizes, era profundamente machista. - 11/07/2007
Ecos do passado
Com algum esforço, tentando evitar as implicações emocionais, a indignação contra uma ditadura militar que torturou, matou, seqüestrou, fez desaparecer pessoas, quero repor algumas verdades sobre o caso Lamarca, que tanta celeuma causou nos últimos dias. Lamarca, vamos acentuar, para além de quaisquer outros julgamentos, e olhe que os tenho e estão registrados no livro que eu e Oldack Miranda escrevemos, foi assassinado friamente pela ditadura militar. E assassinato é assassinato, não pode ser chamado de outro nome. - 25/06/2007
México: mídia e liberdade
As instituições na América Latina começam a dar mostras de consolidação. A democracia vai se consolidando, a passos firmes. No dia 5 de junho deste ano, a Suprema Corte do México completou a anulação dos quatro principais artigos da chamada Lei Televisa, conforme registra a revista CartaCapital, de 13 de junho. Em março de 2006, o Congresso mexicano, pressionada pelas duas maiores estações, Televisa e Ártica, havia aprovado a lei, e isso num acordo sem debates, em sete minutos. - 19/06/2007
Acerto de contas
O PT encara a si mesmo no seu III Congresso, a se realizar no segundo semestre deste ano. É um momento decisivo na vida do partido. Nunca viveu uma conjuntura tão rica e, simultaneamente, tão cheia de desafios e problemas. Enfrentou recentemente, para além dos exageros midiáticos, a sua mais grave crise, que provocou a saída de cena, nem que momentânea, de vários de seus quadros históricos. Tal crise poderia ser entendida como decorrente do sistema político brasileiro, que subestima programas e partidos, privatiza interesses e personaliza o debate. - 11/06/2007
EUA e as novas armas
Não sou um pessimista, creiam. Ao menos se no pessimismo localizamos desesperança. Mas costumo cultivar a idéia de Gramsci do pessimismo da inteligência, otimismo da vontade. Não alimento nenhuma visão idílica do mundo, especialmente se olho o entorno e vejo anúncios da barbárie, para dizer de modo quase inocente. - 03/06/2007
França, esquerda e socialismo
A vitória de Nicolas Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular (UMP), contra a socialista Ségolène Royal, cobra muitas reflexões da esquerda européia, e francesa em particular.Os socialistas eram, evidentemente, ao menos em princípio, um freio a aventuras direitistas destinadas a massacrar os trabalhadores provenientes de outros países do mundo, que estejam empregados ou não. - 29/05/2007
Desenvolvimento ou barbárie
Há uma inquietação profunda, filosófica, sobre como conciliar desenvolvimento com conservação, conservação com desenvolvimento, para usar expressões da ministra Marina Silva, do Meio Ambiente. Não se trata de uma discussão brasileira, mas mundial. Reconheça-se, de pronto, que a esquerda maltratou o tema e a natureza durante o século XX, salvo honrosas exceções, e aqui incluo os verdes de todo o mundo, os ecologistas que desenvolveram uma militância muitas vezes solitária em defesa de uma convivência harmoniosa entre o homem e o meio ambiente. - 17/05/2007
Aborto e saúde pública
A sociedade brasileira debate o tema do aborto há décadas. E sempre enfrenta a reação de religiosos, de variados matizes, que se colocam frontalmente contra o enfrentamento da questão como um problema de saúde pública. O aborto não constitui um assunto exclusivo do Brasil. A ONU, revelava este jornal na edição de 18/4, em duas convenções, o reconhece como problema de saúde pública. Como deve ser. - 07/05/2007
O direito à memória
Os que enfrentaram a ditadura, os que foram presos, os que foram torturados, os grupos de defesa dos direitos humanos têm defendido, com insistência, o direito à memória. Têm batido na tecla do direito do povo brasileiro de saber tudo que aconteceu durante o período de terror e de sombras, aquele em que os generais-presidentes eram os senhores de baraço e cutelo, donos da vida e da morte, mais da morte que da vida, como se sabe. - 07/05/2007
Redução da maioridade penal
A violência que nos aflige, os bárbaros acontecimentos que têm vitimado tanta gente, especialmente nas grandes cidades, e mais ainda no Rio de Janeiro, têm, de um lado, desnorteado muita gente boa, e, de outro, incentivado investidas de nossa direita secular, sempre pronta a achar que a solução dos problemas está na repressão, em mais e mais violência por parte do Estado. Creio que devamos ter firmeza na defesa do primado da lei contra a barbárie e na busca do enfrentamento profundo das causas do problema. - 01/05/2007
Ampliar direitos do trabalho
Recentemente, o presidente Lula vetou a chamada emenda 3, que retirava poderes de fiscalização de autoridades públicas relativamente ao mundo do trabalho. Se não o fizesse, Lula estaria dando uma espécie de carta branca àqueles setores privados que praticam a mais absoluta selvageria em relação aos trabalhadores. Como tem plena consciência da necessidade do combate ao trabalho escravo e a toda espécie de precarização das relações trabalhistas, Lula não teve dúvidas, apesar de toda a gritaria de setores políticos identificados com os privilégios e com a visão neoliberal de mundo.É curioso observar como as coisas acontecem quando o assunto são direitos trabalhistas. Parece que o desenvolvimento brasileiro só pode ocorrer se eles forem suprimidos ou, no mínimo, diminuídos. - 11/04/2007
O talento em tempos de cólera
Sempre cultivei uma inveja danada dos escritores. Daqueles seres que conseguem traduzir o mundo em seus personagens. Quando a gente os lê, parece que não há nada mais simples. Você, que acha isso, tente. Não há nada mais difícil do que esse mistério do escrever inventando gente, decifrando o mundo. Mas, o curioso é que eles não inventam. São pessoas iluminadas, capazes de apreender a humanidade de um modo diverso, muito diferente da apreensão feita pelos mortais. - 23/03/2007
Mergulho na alma do poder pelas lentes de personagens inesquecíveis
Jornalistas deviam escrever sempre assim: como quem conta histórias para pessoas em volta de uma fogueira em noite de frio, invadindo a alma de quem ouve por falar da alma de seus personagens. Escrever como Flávio Tavares, que certamente nunca se conformou com leads e subleads. Abandonou-os para fazer literatura sem despregar-se da realidade. Ou para misturar realidade e ficção porque sabe que por mais que se esforce para simular objetividade, o jornalismo é sempre interpretação. E por extensão, construção de personagens saídos das páginas da história, como estes brotados do talento de Tavares. - 22/03/2007
Jornalismo e opinião
A compreensão do que sejam o jornalismo e suas exatas fronteiras desafiam os contemporâneos. Talvez, aliás, seja quase impossível chegar a uma definição precisa, até pela característica da atividade. Poucos duvidam de sua importância, do peso que ele tem na configuração das sociedades atuais, peso que se acentuou com a televisão e mais ainda com o advento da Internet. Não há, no entanto, a lembrança de que esse processo se iniciou lá pelos idos do século XIX, com o jornal impresso. - 27/02/2007
Anísio: importante lembrar
Emiliano José escreve artigo em homenagem ao amigo Anísio Félix, para a página de Opinião, do Jornal A Tarde. “O velho Anísio se foi. Com ele se foi também muita alegria de viver, muito amor pela Bahia, especialmente pela Cidade Baixa, com quem ele mantinha uma cumplicidade visceral...”. - 09/02/2007
Crescer para distribuir
"Não há dúvida, no entanto, que é importante crescer. E voltando à pergunta do início, trata-se de crescer para gerar empregos e distribuir renda, sobretudo..." O jornalista Emiliano José escreve para a página de Opinião, do Jornal A Tarde, artigo sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).Confira. - 06/02/2007
Novos Tempos
O jornalista Emiliano José escreve para a página de Opinião, do jornal A Tarde, dia 23/01/2007 (terça), artigo intitulado: "A hora da América Latina". Veja a íntegra. - 23/01/2007
Delírio e sonho
"Edgard Navarro conta uma história.A sua.E contar história é simples.Resta que o contador seja bom.E ele se revela..."O jornalista Emiliano José escreve artigo sobre o filme: "Eu me lembro", de Edgard Navarro, para a página de Opinião, do Jornal A Tarde, do dia 05/01/2007 (sexta).Confira a íntegra. - 06/01/2007
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