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Nº
36 - novembro/2003 – (71) 3115-7139/3115-7073
Fax 3115-4093
Emiliano
faz palestras na Itália e na França
O
deputado Emiliano José (PT) seguiu dia 22 de
novembro para a Itália. Convidado pela Província
de Firenze, fará o lançamento de seu livro
“Don Renzo Rossi: un prete fiorentino nelle carceri
del Brasile”, título da edição
italiana de “As asas invisíveis do padre
Renzo”. O evento será realizado dia 5 de
dezembro, às 17h30, na sede do governo, Palazzo
Médici Riccardi, Via Chiasa San Lorenzo. Na programação,
está prevista uma conferência de Emiliano
José, na Sala Lucca Giordano, com auditório
para 500 pessoas. Antes mesmo do lançamento,
o livro já está em terceiro lugar em vendas,
segundo informações da Edizioni San Paolo,
a maior editora católica do mundo, presente em
30 países. Como parte da programação,
Padre Renzo receberá da Província de Florença
o prêmio Solidariedade como reconhecimento por
sua trajetória de vida a favor dos excluídos.
O site da editora apresenta Emiliano José como
“giornalista, scrittore e docente universitário”
e ressalta que o prefácio foi escrito por Frei
Betto, frade dominicano preso na ditadura militar e
hoje Assessor Especial do Governo Lula. Além
de quatro palestras na Itália, Emiliano vai fazer
uma conferência no Instituto de Urbanismo de Paris,
a convite do Coordenador de Conferências da instituição,
Georges Knaebel, no dia 12 de dezembro, sobre problemas
urbanos da capital baiana, especificamente sobre a multiplicação
de condomínios que formam verdadeiros enclaves
privados no espaço urbano, a decadência
dos centros e a insegurança pública. A
arquiteta Maria José Malheiros, que já
morou em Salvador e hoje é funcionária
da prefeitura de Paris, será a tradutora e Agustín
Trigo, urbanista da CONDER que está estudando
no Instituto de Urbanismo de Paris, será debatedor.
Emiliano José vai representar oficialmente a
Assembléia Legislativa da Bahia.
INCENTIVO
À CAPOEIRA DO BRASIL
A Secretaria Nacional de Esporte Educacional,
órgão do Ministério do Esporte,
comunicou ao deputado Emiliano José, que foi
acatada sua proposta de reconhecimento da capoeira como
esporte genuinamente nacional e que já está
em curso a elaboração de um plano nacional
de política pública para a capoeira, no
mesmo espírito do projeto-de-lei apresentado
pelo deputado na Assembléia Legislativa da Bahia.
Essa proposta vem sendo defendida pela Associação
de Capoeira Kilombo da Bahia. A decisão foi comunicada
ao deputado pelo Secretário Adjunto de Esporte
Educacional, Alcino Reis.
AUDIÊNCIA PÚBLICA
HOMENAGEIA ILÊ AIYÊ
No dia 19 de novembro, no Museu Eugênio
Leal, Pelourinho, na véspera da Caminhada da
Liberdade promovida pelo Fórum de Entidades Negras
da Bahia, a Comissão Especial para Assuntos da
Comunidade Afrodescendente (CECAD), da Assembléia
Legislativa da Bahia, sob a presidência do deputado
Emiliano José, promoveu uma Audiência Pública
em homenagem aos 30 anos do bloco Ilê Aiyê.
Da mesa participaram o presidente do bloco Male Debalê,
Jocélio Araújo, João Jorge do Olodum,
Antônio Carlos dos Santos (Vovô) e Dete
Lima, filha de Mãe Hilda, a Ialorixá do
Ilê Axé Jitolu, além de Alaíde
do Feijão e dos professores Jaime Sodré
e Olímpio Serpa. Também estiveram presentes
a vereadora Valquíria Barbosa, a diretora do
Ilê, professora Maria de Lourdes Cerqueira e o
diretor do Bloco Os Negões, Walmir França,
também assessor da CECAD..
O que eles disseram:
Antônio Carlos Vovô:
“Quando me perguntam quem sou eu, respondo que
sou um negro que fugiu do controle, porque se a escravidão
passou, seus efeitos permaneceram e, além do
racismo disfarçado de nossa sociedade, existe
a escravidão mental contra a qual tem lutado
o Ilê nestes 30 anos, através da cultura,
da educação, da religião, das raízes
ancestrais e da música que fala da beleza do
negro e com isso transformando a sociedade”.
Deputado Emiliano José:
“Me impressiona a caminhada do Ilê Aiyê,
que em 1975 saiu às ruas com pouco mais de 80
integrantes, cercados por 200 policiais para conter
a “subversão”, em tempo de ditadura
Geisel, ao Ilê de hoje, respeitado pela revolução
no Carnaval e também por seu projeto pedagógico
e cultural, depositário da tradição
de resistência do povo negro”.
Dete Lima:
“Em nome de Mãe Hilda, que é a força
fundadora do Ilê Aiyê, agradeço essa
homenagem da Comissão Especial para Assuntos
da Comunidade Afrodescendente, da Assembléia
Legislativa, e peço para todos a proteção
e as bênçãos de Obaluaê, Oxum
e Oxalá”.
Jaime Sodré:
“Aprendi que a grande força do candomblé
é a mulher negra. A repressão caía
sobre os terreiros porque sendo a líder, negra
e mulher, a resistência era multiplicada, profunda,
astuta, porque vinha de um ser que gerava a vida. Por
isso Mãe Hilda deve sempre ser vista como exemplo
e modelo. É o segredo do Ilê Aiyê.
Também quero registrar que o Ilê, embora
jovem, já tem ancestrais que nos guiam, como
Apolônio de Jesus e Paulo Bonfim”.
Jocélio Araújo:
“Vejo o Ilê como o Zumbi dos Palmares que
quebrou a corrente segregacionista no Carnaval e nos
costumes, a grande matriz da transformação
cultural, política, da afirmação
da raça negra, que deu origem ao Malê Debalê,
ao Olodum e a tantas outras organizações
afrodescendentes”.
Olímpio Serpa
“A história do Ilê Aiyê está
ligada à luta pelo direito à memória
do povo negro vindo da África. Conheci Mãe
Hilda subindo a Serra da Barriga, em Alagoas, montada
no lombo de um burro, na década de 70, em busca
da preservação da memória do Quilombo
dos Palmares. Essa tem sido a luta do Ilê e esse
é o sentido da Caminhada da Liberdade”.
João Jorge, do Olodum
“Não podemos mais esperar O futuro chegou,
a democracia veio, andamos nas ruas e não sentimos
a igualdade. Vim aqui prestar minha homenagem ao Ilê
Aiyê e dizer o quanto ele foi importante para
minha formação, minha cidadania. E reafirmar
minha vontade de caminhar juntos na luta contra o racismo”.
POETA
BAIANO GANHA COMENDA DA PAZ
“Confraria dos Poetas gaúcha
premia poema censurado e apreendido à época
da ditadura militar”. Essa é a manchete
completa. No ano de 1985, quando uma ala esquerda do
PMDB da Bahia, formada por ex-presos políticos,
decidiu lançar o jornalista Emiliano José,
pela segunda vez, como candidato a deputado estadual
nas eleições de 1986, no Comitê
Eleitoral estavam, à disposição
dos voluntários, algumas dezenas de exemplares
do livro de poemas “O Som dos Cavalos Selvagens”.
Vender o livro era uma forma de “fazer finanças”
para a campanha, mas havia muito de simbolismo no gesto.
Com capa do artista plástico Chico Liberato,
era uma obra de protesto contra a ditadura militar,
e sua divulgação em 1971 custou ao autor,
Adelmo Oliveira, prisão, interrogatório
e confisco de quase toda a edição. Daí
em diante o poeta e advogado passou a ser perseguido
pela repressão. Em 1975, acabou seqüestrado
pelos militares, interrogado em local ignorado e levado
à presença do general Adyr Fiúza
de Castro, então comandante da VI Região
Militar, numa tentativa de intimidação.
Até hoje os registros oficiais do fato estão
sonegados pelo sistema militar.
Agora, em
outubro de 2003, o mesmo poema “O Som dos Cavalos
Selvagens”, levou a Ordem da Confraria dos Poetas,
uma entidade gaúcha com 2.700 personalidades
da área literária, a homenagear Adelmo
Oliveira, ex-deputado estadual (1978-1982) com a Comenda
da Paz, um Diploma de Mérito Internacional Humanitário
e a incluí-lo na antologia Manifesto à
Paz Mundial, que reúne trabalhos de 59 poetas
brasileiros, numa edição da Shan Editores,
sediada em Porto Alegre. A decisão foi tomada
por um júri constituído por escritores,
poetas e professores da Faculdade de Letras da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Como disse a jornalista
Regina Coeli, em sua coluna “Nomes”, no
jornal A Tarde: “Nada como um dia atrás
do outro”.
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