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Boletim
nº 73 - Novembro/2004 – (71) 3115 7139/3115
7073 Fax 3115 4093
Arquivos da ditadura serão abertos
O deputado Emiliano José, ex-preso político,
vice-presidente do PT da Bahia e líder da bancada
na Assembléia Legislativa, saudou a nomeação
do advogado Augustino Veit para a presidência
da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos
Políticos, vinculada à Secretaria Especial
dos Direitos Humanos. “Com longa trajetória
na luta pelos direitos humanos, Veit foi assessor da
Comissão de Direitos Humanos da Câmara
dos Deputados na elaboração da Lei 9.140,
que reconheceu a responsabilidade da União nas
mortes e desaparecimentos políticos durante a
ditadura militar”.
Augustino
Veit presidiu o Movimento de Justiça e Direitos
Humanos de Porto Alegre e teve importante papel na resolução
do seqüestro no Brasil do casal uruguaio Lílian
Celiberti e Universindo Dias por forças policiais
do Uruguai, em 1978. Na década de 80, Veit foi
um dos fundadores do Movimento Nacional dos Direitos
Humanos, ao lado de Helio Bicudo e Leonardo Boff, entre
outros. Atualmente, ele é assessor do Conselho
de Ética da Câmara dos Deputados.
Emiliano
José afirmou que luta pela abertura dos arquivos
da ditadura, mas ressaltou que isso deve ser feito por
negociações políticas entre os
poderes Executivo e Legislativo, sem qualquer tipo de
crise institucional. Ele lamentou que o presidente demissionário
da Comissão de Presos e Desaparecidos Políticos,
João Luiz Duboc Pinaud, também de grandes
serviços prestados à causa dos direitos
humanos, não tenha compreendido o momento político,
mas concordou com ele: a abertura dos arquivos dos militares
é um direito do povo brasileiro.
PT
defende abertura dos arquivos
O deputado Emiliano José lembrou que o presidente
nacional do PT, José Genoino, e o ministro José
Dirceu já se manifestaram sobre a necessidade
de redução do prazo para a abertura dos
arquivos secretos da ditadura militar. “O prazo
de 50 anos, estabelecido pelo ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso (1995-2002) por meio do decreto 4.553/2002,
deve ser reduzido, porque o país tem que conhecer
sua história sem revanchismo e sem preconceito”.
O
ministro José Dirceu afirmou que o decreto de
sigilo, de FHC, está sendo analisado, ressaltando
que ele envolve desde questões de política
externa do país, no século passado, discussões
sobre segurança nacional, além da memória
da ditadura. O ministro fez as declarações
ao comentar a polêmica envolvendo o nome de Wladimir
Herzog, assassinado sob tortura em 1975. Segundo o ministro,
a revisão do decreto do sigilo está na
pauta do governo ao lado de outras ações
para revelar as atrocidades cometidas pela ditadura
e compensar as vítimas.
Emiliano
José afirmou que a questão precisa ser
enfrentada, mas, de maneira que não afete a agenda
democrática do país. Neste sentido apóia
a revisão do decreto do ex-presidente FHC, que
retirou os prazos previstos para a abertura dos documentos
referentes ao período da ditadura militar. O
secretário Especial dos Direitos Humanos, Nilmário
Miranda, confirmou que o governo pretende reexaminar
o decreto.
Empresa
laranja no ferry consome dinheiro público
Em discurso pronunciado dia 10/11/04, o deputado Emiliano
José afirmou que o governador Paulo Souto está
transferindo verbas públicas para empresas laranjas
que gerenciam desastrosamente o ferry-boat de Salvador.
O pronunciamento foi feito no mesmo dia em que a bancada
do governo aprovou mais R$ 7,5 milhões para as
empresas. É um escândalo atrás do
outro. Primeiro foi a fracassada privatização.
Depois foi a substituição por empresas
laranjas, que já estão dando mais prejuízos.
Leia
tudo na íntegra
Morre
um líder da luta antimanicomial
Emiliano José apresentou, na Assembléia,
Moção de Pesar pelo falecimento, dia 11
de novembro de 2004, de Eduardo Araújo, liderança
da luta antimanicomial na Bahia, que quer abolir os
tratamento desumanos impostos pela sociedade dita normal
aos portadores de transtornos mentais. Esquisôfrenico,
Eduardo Araújo representou a Bahia em diversos
seminários e congressos, criou o Movimento dos
Usuários de Saúde Mental (MOUSM) e ficou
conhecido por sua luta pelo fechamento dos hospitais
psiquiátricos, manicômios e outras casas
dos horrores. Eduardo tinha uma forte razão para
seu engajamento político: sofreu na carne as
torturas, eletrochoques, overdoses de medicação,
prisão em celas imundas. Quando surtava, Eduardo
Araújo dizia que era Jesus Cristo. Sua realidade
pessoal não o impediu de lutar com coerência
pelos direitos humanos.
Leia íntegra da Moção de Pesar
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