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Por
Emiliano José
Introdução:
"O encontro"
A
primeira vez que Theodomiro me viu, eu estava inteiramente
nu, sobre uma maca carregada por quatro soldados que
me haviam submetido ao pau-de-arara, ao choque e ao
“afogamento” no Quartel do Barbalho, sede então da Polícia
do Exército e da Quarta Companhia de Guardas, principal
centro de tortura de presos políticos em Salvador, comandado
à época pelo capitão Hemérito Chaves Filho. Semiconsciente
ouvi Theodomiro responder “não” quando um dos torturadores
perguntou se me conhecia, depois de retirar bruscamente
a venda de esparadrapo que me cobria os olhos. Era o
dia 23 de novembro de 1970 e ali começava uma amizade
profunda, fruto de uma convivência que se prolongaria
por quase quatro anos num mesmo pavilhão
de penitenciária, a Lemos de Brito, também em
Salvador.
Minha
pretensão aqui é contar a história da fuga de Theodomiro
depois de nove anos atrás das grades, em agosto de 1979,
às portas da anistia, história até hoje não contada,
ou contada aos pedaços, fruto de muitas fantasias e
especulações. Tenho a intenção simples de contar bem
a história, só. |