
Suplemento do jornal A TARDE - 01/04/2004
Capa
Para
que não se repita
emiliano josé
Minha vida de líder estudantil
deu-se entre 1967 e 1969. No segundo semestre de 1968
era vice-presidente da União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas. Lutávamos contra o acordo MEC-Usaid
e contra a ditadura. Principalmente contra a ditadura.
Luta política. Dura. É pau, é pedra.
Polícia, cavalo, bola de gude, correria, prisões.
Alegria, alegria nos comícios. Che Guevara povoando
nossos sonhos. Espaçonaves, guerrilhas.
Líderes nacionais, como Luís
Travassos, Wladimir Palmeira, José Dirceu, José
Genoíno. Passeatas. De mil, de 100 mil, um mundo
de gente serpenteando as cidades, assustando a direita.
Esse agito foi até 1968. Depois, dezembro 13,
veio o AI-5. É o fundo do poço, quase
o fim do caminho. A ditadura com face mais sangrenta.
Perseguição violenta.
Terror. Tortura. Mortes. Desaparecimentos.
Prisões. Teimosia nossa. Seguíamos adiante.
Até a prisão. Ou a morte. Ou o desaparecimento.
Ou o exílio. Até que muito mais tarde,
1985, pudéssemos ver o sol raiar. Liberdade,
liberdade, abre as asas sobre nós. E que viva
para sempre, brilhe. Ditadura nunca mais. Lula: a esperança
venceu o medo. Maio está próximo: que
nos lembremos da revolta e do massacre de estudantes
em maio de 2001 em Salvador. Para que não se
repita. Nunca mais.
Emiliano
José, 58, é deputado estadual
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