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04/12/2004
Imbassahy
é acusado de improbidade
Promotora
pede quebra de sigilo bancário do secretário
de Comunicação e do coordenador de Propaganda
de Salvador
Ivana
Braga
A
promotora Heliete Rodrigues Viana, da Promotoria de
Cidadania do Ministério Público da Bahia,
propôs uma ação civil pública
por prática de improbidade administrativa contra
o prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy (PFL),
sob a alegação de que a administração
municipal favoreceu empresas da área de comunicação
e de publicidade e, com isso, causou danos financeiros
ao tesouro do município. Além do prefeito,
estão sendo denunciados o secretário de
Comunicação da Prefeitura, Tasso Franco,
o coordenador de Propaganda, Carlos Alberto Fagundes,
e as empresas Rede Interamericana de Comunicação
(Propeg), Pejota Propaganda e Editora Abril S/A.
A
ação, que está tramitando na 6ª
Vara da Fazenda Pública, foi protocolada no Tribunal
de Justiça da Bahia no último dia 24 de
setembro e é decorrente de uma antiga representação
da bancada do PT na Câmara Municipal, denunciando
supostas irregularidades em contratos firmados entre
a prefeitura, a Propeg e a Pejota, durante o período
compreendido entre 1997 e 2002, para execução
de serviços de publicidade oficial. Na representação,
o PT acusa a prefeitura de desviar recursos destinados
à área de saúde para pagar gastos
com propaganda.
Além
do ressarcimento dos supostos danos financeiros causados
aos cofres públicos, no valor atualizado de R$
65 milhões, a promotora pediu a condenação
de todos os envolvidos e outras sanções
previstas em lei, a exemplo da perda de função
pública, suspensão dos direitos políticos,
pagamento de multas, perda dos bens ou valores acrescidos
ilicitamente ao patrimônio e proibição
de contratar com o poder público ou receber benefícios
ou incentivos fiscais e creditícios.
SIGILO
– Conforme a ação proposta pelo
Ministério Público, é “imprescindível
descobrir para onde escoou toda a verba destinada à
execução dos contratos firmados entre
os anos de 1998 a 2002”, razão pela qual
a promotora Heliete Rodrigues pediu a imediata quebra
do sigilo bancário do secretário de Comunicação,
do coordenador de Propaganda e das empresas Propeg e
Pejota.
O
prefeito Antonio Imbassahy, por meio da sua assessoria,
informou desconhecer o teor da ação proposta
pelo Ministério Público e disse que só
irá se manifestar após ser notificado.
Outro que afirmou não ter sido notificado ainda
foi o secretário de Comunicação
da Prefeitura, Tasso Franco, que também informou
desconhecer o processo, razão pela qual não
poderia se pronunciar. Por sua vez, o procurador geral
do município, Graciliano Bonfim, confirmou que
não houve notificação das partes
e disse ter conhecimento da existência da ação
mediante a consulta processual para acompanhamento dos
processos envolvendo a administração municipal.
Bonfim
adiantou, no entanto, tratar-se de fato antigo, assunto
que imaginava sepultado, já que tramita na Justiça
baiana outra ação semelhante - aspecto,
aliás, observado pela própria promotora
Heliete Rodrigues. O procurador prontificou-se a prestar
todos os esclarecimentos necessários, mas só
a partir do conhecimento das acusações
formuladas pelo Ministério Público.
A
direção da Propeg também informou
não saber do que trata o processo, alegando que
a empresa ainda não fora notificada. Fernando
Barros, presidente da Propeg, garantiu, no entanto,
que os contratos firmados com a prefeitura, todos resultado
de licitação, atendem rigorosamente aos
critérios impostos pela lei. Procurada, a direção
da Pejota não se pronunciou. O gerente da empresa,
José Augusto, manteve contato, mas disse que
somente um dos diretores poderia falar sobre o assunto.
Até o fechamento da edição não
houve retorno de Paulo Viana ou Fred Maron, diretores
da Pejota.
A
denúncia dos então vereadores Emiliano
José, Zezéu Ribeiro (atualmente deputados
estadual e federal, respectivamente) e Celso Cotrim,
dava conta de que a prefeitura teria elegido a Propeg
e a Pejota como as agências oficiais para tratar
da publicidade da administração municipal.
Para tanto, desde 1997 celebrou diversos contratos com
as duas empresas, prorrogados até fevereiro de
2000 por meio de seis aditamentos.
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