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13/09/2004
ACM
reprova “mãozinha” ao PT
Agências
Estado e Folha
Salvador
– A visita do ministro da Saúde, Humberto
Costa, para inaugurar obras em municípios baianos
administrados pelo PT e a troca de agressões
no horário eleitoral entre petistas e pefelistas
esquentaram a campanha das eleições municipais
no Estado. A atitude de Costa foi classificada de “altamente
reprovável” pelo senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL-BA), que pretende queixar-se ao
presidente da República no jantar de Luiz Inácio
Lula da Silva com senadores marcado hoje à noite,
no Palácio do Planalto.
Conforme
a agenda distribuída pelo Ministério da
Saúde, Costa inaugura hoje a primeira unidade
da Farmácia Popular, no município de Vitória
da Conquista, a 550 quilômetros de Salvador. À
tarde o ministro instala no município de Itabuna,
a 450 quilômetros da capital, o Serviço
de Atendimento Móvel de Emergência.
Os
dois municípios são administrados por
prefeitos do PT e isso foi entendido por ACM como uma
nítida “mãozinha” que Costa
está dando aos companheiros petistas na reta
final da eleição municipal. “É
reprovável sobretudo vindo de quem é chamado
‘ministro vampiro’ atacou Magalhães
aludindo à Operação Vampiro da
PF, que descobriu o envolvimento de vários funcionários
do Ministério da Saúde num esquema de
fraude de licitações.
CHIADEIRA
– Para o senador, a ação de Costa
prejudica os adversários do PT, principalmente
do PFL, que disputa a eleição com chances
de vitória nessas duas cidades e seria, na visão
dele, “uma tática que já devia ter
sido abolida no Brasil”. Magalhães disse
que, “com certeza”, pretende se queixar
a Lula desse procedimento do ministro, “além
de outras queixas”, avisou. O líder pefelista
está insatisfeito com o candidato petista à
prefeitura de Salvador, Nelson Pelegrino.
Sobre
o jantar dos senadores com Lula, ACM contou que a intenção
do governo é formar uma maioria no Senado para
não ser derrotado nas votações
de seu interesse. “Sou favorável a uma
atuação independente, sem radicalismos,
para que se apoie os projetos de interesse do País”,
comentou. Para ele o projeto de Parceria Público
Privada (PPP), por exemplo, não deveria ser aprovado
através de Medida Provisória e sim de
votação. “Mas para isso precisa
ser consertado”, disse.
Como
parte do esforço para romper a paralisia do Congresso
e ampliar sua base de sustentação no Senado,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva janta
com senadores da ala do PFL mais alinhada ao governo
-no primeiro dia da última semana de “esforço
concentrado” do Congresso antes das eleições
municipais. O ministro Aldo Rebelo (Coordenação
Política) também participa do encontro,
que será realizado na casa do ministro José
Dirceu (Casa Civil).
Os
senadores pefelistas Antonio Carlos Magalhães
(BA) e Roseana Sarney (MA) são os dois grandes
aliados do governo e articuladores do encontro entre
Lula e outros senadores pefelistas, como César
Borges (BA) e Edison Lobão (MA). “Não
fomos informados dessa reunião. Primeiro, vamos
ver se ela ocorrerá mesmo. Depois, quem vai participar.
E, a partir daí, vamos ver o assunto que foi
tratado na reunião. Vamos conversar. Trata-se
de companheiros”, disse o líder do PFL
no Senado, José Agripino Maia, crítico
do governo Lula.
Bastidores
– Nos bastidores do Palácio do Planalto,
estimula-se até a movimentação
de setores do PFL alinhados ao governo para formar um
novo partido. A partir de amanhã, quando os trabalhos
no Congresso se iniciam de fato, haverá 11 medidas
provisórias trancando a pauta da Câmara
e uma outra no Senado. “Em primeiro lugar, vamos
tentar votar as MPs, depois pensamos em projetos prioritários,
com a Lei de Falências”, disse o deputado
petista Paulo Bernardo (PR), presidente da Comissão
Mista de Orçamento do Congresso.
O
governo ainda busca um acordo sobre o projeto que cria
as PPPs (Parcerias Público-Privadas). Assessores
da Secretaria de Coordenação Política
afirmam que a semana do esforço concentrado será
importante para discutir o projeto, para votá-lo
somente após as eleições. Na última
sexta-feira, Aldo Rebelo conversou com o ministro Guido
Mantega (Planejamento) e o senador Tasso Jereissati
(PSDB-CE), um dos maiores críticos do texto.
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