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17/10/2004
Petistas
avançaram mais nos pequenos municípios
Nas eleições
municipais de 1996, o PT teve 380 mil votos na Bahia.
Deles, 320 foram em Salvador. Os 60 mil restantes saíram
do interior, mas de grandes cidades, como Itabuna e
Vitória da Conquista. Em 2000, obteve os mesmos
320 mil votos na capital. A votação geral
aumentou para 700 mil, mas o grosso ainda veio dos núcleos
urbanos maiores. Este ano, a votação em
Salvador caiu para 221 mil, mas no conjunto do estado
subiu para 897 mil.
Se caíram
na capital e nos grandes municípios do interior
baiano as coisas ficaram para os petistas mais ou menos
na base do “elas por elas”, já que
perderam Itabuna e Juazeiro e ganharam Camaçari
e Lauro de Freitas, a conclusão lógica
é a de que o partido passou a andar em terras
onde nunca pisou, os grotões interioranos onde
o senador Antonio Carlos Magalhães e seus aliados
sempre reinaram quase absolutos.
“Temos
um crescimento consolidado. Nossa performance foi superior
a 2000 também nos pequenos municípios
e isso não pode ser creditado apenas a Lula e
sim a estratégia do partido, de avançar
nos pequenos municípios. A Bahia tem 332 municípios
com menos de 20 mil eleitores. Só governamos
dois, Mutuípe e Pintadas. Este ano ganhamos outros
10, além de mantermos os que já tínhamos”,
fala o presidente do partido, o deputado federal Josias
Gomes.
ALIANÇAS - A mudança da política
de alianças é outro fato destacado por
ele como positivo. O partido marchou para a campanha
livre da clausura em que se metia. Abriu-se, fez alianças
com o PL, o PTB, o PSDB e o PMDB. Já não
assusta como antes. Distanciou-se do estereótipo
que vigorava com força nos anos 90, aquele do
partido de barbudinhos assustadores, ávidos por
expropriar fazendas e vez ou outra comer uma criancinha.
Abriu o
seu leque de opções e colheu resultados
expressivos, como em Paulo Afonso, onde a cúpula
estadual convenceu o candidato do partido, José
Ivaldo, a renunciar em favor de Raimundo Caires (PSB),
derrotando o governista Wilson Filho, apoiado pelo grupo
do secretário da Agricultura, Pedro de Deus.
“Ivaldo tinha 10% a menos de duas semanas da eleição.
Por essa, eles não esperavam”, afirma o
deputado estadual Emiliano José, que teve participação
decisiva no episódio.
O PT só
tem diretórios em 185 municípios, embora
esteja com comissões provisórias em outros
222, o que totaliza a presença em 407 dos 417.
Disputou a eleição com candidatos próprios
em 181. Ganhou 21. Em perdeu, mas brigando palmo a palmo.
Na grande maioria, os candidatos tiveram votações
irrisórias, de 50 a 500 votos. Noutros apenas
marcaram posição, como em Candeias, com
o deputado Sargento Isidório, que teve pouco
mais de 4 mil votos (10%), e Valença, onde o
vereador Matiniano Costa, 1,4 mil votos (3,8%).
Mas também
logrou vitórias emblemáticas, como lembra
Emiliano. É o caso de Entre Rios, onde o vencedor,
o professor Ranulfo Ferreira, ganha R$ 240 por mês
e derrotou Manoelito Argolo, milionário e frequentemente
acusado de uma série de arbitrariedades contra
adversários. “Manoelito era um terror.
As pessoas viviam sob a égide do medo. É
tão arrogante que achou de chamar o adversário
de professor, preto e pobre. Pagou caro por isso. O
povo perdeu o medo”, diz ele, assinalando que
caso idêntico aconteceu em Carinhanha, onde Francisca
Ribeiro, a Chica, derrotou o prefeito afastado Geraldo
Pereira Costa, outro que impunha a lei do medo. “Era
o crime organizado no comando do poder político”,
ressalta Emiliano (LV).
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