
19/05/2004
Assembléia Legislativa
Governistas
defendem senador com timidez
Levi Vasconcelos
Apontado pelo líder do PT na
Assembléia Legislativa, Emiliano José,
como “patrono da corrupção”,
por conta do projeto que apresentou no Senado propondo
que políticos acusados de crimes eleitorais só
sejam afastados dos seus cargos após a sentença
proferida na última instância, o senador
César Borges (PFL) voltou ontem a ser motivo
de duelo entre oposicionistas e governistas.
“O projeto em que ele defende
a corrupção está sofrendo uma grande
ofensiva da sociedade brasileira para que não
se concretize a retirada do Art. 41 da Lei Anticorrupção.
Ele quer que o candidato que doe, ofereça, prometa
ou entregue ao eleitor algum bem ou vantagem pessoal
não seja penalizado”, disse, citando as
iniciativas da CNBB e a da Ordem dos Advogados, condenando
a iniciativa.
Emiliano lembrou o que chamou de “massacre
dos estudantes” ocorrido em 16 de maio de 2001,
no Campus da Ufba no Canela, quando César Borges
era governador. Os estudantes realizavam um protesto
pedindo a cassação do senador Antonio
Carlos Magalhães, então acusado de envolvimento
na violação do painel do Senado, e acabaram
sendo bombardeados pela Polícia Militar. Borges
foi qualificado pelo deputado como “um sujeito
arbitrário, profundamente arbitrário”.
REAÇÃO TÍMIDA – Curioso.
Diante da virulência do ataque a reação
da bancada governista foi relativamente tímida.
Limitou-se ao deputado Elmar Nascimento (PFL), que deixou
a entender que a carga contra o senador é por
conta da candidatura dele a prefeito de Salvador, apesar
da ampla repercussão na mídia nacional.
Só houve um aparte de Gilberto Brito. “Chegamos
aqui no ano passado e durante um ano e meio ninguém
falou dele”, observou Elmar.
“O
projeto foi encaminhado em agosto do ano passado quando
ele nem pensava em ser candidato a prefeito. Muito pelo
contrário, nem eleitor de Salvador era”,
afirmou Elmar, assinalando que o projeto passou pelas
comissões técnicas do Senado com apoio
de todas as lideranças partidárias, inclusive
a do PT. “O ex-líder Nelson Pelegrino,
que já está enterrado, tentando ressuscitar,
mas não tem quem levante, não tem guindaste
que faça levantar a candidatura daqueles que
traíram o povo e disseram na televisão
que fariam uma coisa e estão fazendo outra. O
programa do PCdoB é uma vergonha, só fala
em César Borges, não tem proposta”.
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