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Política
partidária não seduz mulheres
Nenhuma
coligação conseguiu cota de 30% de candidatos
do sexo feminino
Ivana
Braga
Das
coligações e partidos que disputarão
as eleições de outubro, a encabeçada
pelo PFL é a que tem a maior representação
feminina, tendo alcançado o percentual de 23,17%.
Conforme prevê a Lei 9.504/97, 30% do total de
candidatos devem ser mulheres. Nenhuma delas conseguiu
preencher a cota destinada às mulheres, o que
pode ser uma sinalização de que a política
não atrai sexo feminino.
Desde
1996 a lei impôs uma cota de vagas para sexos
opostos no quadro da disputa eleitoral. A reserva foi
imediatamente interpretada como “vagas destinadas
ao sexo feminino”. Inicialmente a Lei 9.100 fixou
o percentual de 20% das vagas a serem preenchidas por
mulheres. Já regulamentado pela Lei 9.504, que
rege as eleições desde 1998, esse percentual
cresceu para 25%, pulando para 30% na eleição
de 2000. Apesar da determinação legal,
os partidos têm esbarrado em dificuldades para
fazer cumprir a lei.
São
muitas as explicações para o fato. O coordenador
da campanha da coligação encabeçada
pelo PT, deputado Emiliano José, entende que
a dificuldade em preencher a reserva de vagas destinadas
às mulheres é reflexo da sociedade machista
em que ainda vivemos. “Não há, na
realidade, a igualdade pregada, apesar dos avanços
alcançados. Prova disso é a violência
que vitima as mulheres diariamente”.
PRESENÇA
TÍMIDA – O deputado diz que o não-prenchimento
da cota não significa que as mulheres não
estão atuando. Para ele, cresceu o grau de participação
da mulher, que passou a ocupar bons espaços na
política e em outros setores. No entanto, Emiliano
José admite que ainda é tímida
a presença feminina, especialmente porque as
mulheres representarem um contigente numericamente superior.
“É uma questão cultural. Mas não
é por falta de esforço do PT, que tem
buscado mudar essa realidade e ampliar a participação
da figura feminina na política, até porque
tem excelentes quadros”, diz.
Entendimento
semelhante tem o presidente do PDT, deputado Severiano
Alves, para quem o não-preenchimento da cota
de mulheres é uma questão cultural, já
que as mulheres foram, por muitos anos, impedidas de
participar da vida política e econômica
do País, demorando, inclusive a ter o direito
ao voto. “É um retrato histórico-sociológico
do Brasil”, avalia.
Para
ele, ainda é muita pequena a representação
feminina no cenário político. “Apenas
8% das cadeiras na Câmara Federal estão
ocupadas por mulheres. E elas têm potencial e
condições de exercerem qualquer atividade,
não só a política”, avalia.
Essa baixa representatividade tem sido motivo de preocupação
no Congresso Nacional que vem buscando criar mecanismos
capazes de incentivar a participação feminina
não só na política, como em outras
atividades.
O
assessor jurídico da coligação
encabeçada pelo PFL, a que apresentou o maior
número de candidatas (19), Ademir Ismerim, considera
que a dificuldade no preenchimento das vagas destinadas
à mulher tem uma explicação histórica.
Afinal, numa sociedade machista, a atividade política
sempre coube aos “machos”. As mulheres se
intimidaram devido às restrições
que lhes foram impostas.
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