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29/09/2004
Teofilândia,
cidade desgovernada
Prefeito,
vice e secretários são afastados pela
Justiça acusados de improbidade pelo Ministério
Público
Flávio
Oliveira
A cinco dias
das eleições, o município de Teofilândia,
a 196 km de Salvador, amanhece hoje sem prefeito, sem
vice-prefeito, sem secretários municipais de
Finanças, Educação, e de Ação
Social. Todos os ocupantes desses cargos foram afastados
por decisão liminar concedida pelo juiz Luís
Roberto Cappio Guedes Pereira, em atendimento a pedido
formulado em ação de improbidade administrativa
movida pelo Ministério Público Estadual
(MPE) por meio dos promotores Dahiane Bulcão
Caldas Lyra e Valmiro Santos Macedo.
O prefeito
Carlos Afonso Oliveira (PL) e seus filhos, Tércio,
Maria Gilcélia e Luciana – respectivamente
secretários municipais de Finanças, Educação
e Ação Social – são acusados
de violar o princípio de legalidade na administração
pública ao não dar publicidade a atos
administrativo. Durante a fase de inquérito,
o prefeito e seus filhos se negaram a entregar documentos
pedidos pelo MPE. Ao mesmo tempo, prefeito e secretários
teriam dificultado acesso de vereadores e da população
em geral aos mesmos documentos. A Constituição
Federal e a Lei de Responsabilidade Fiscal asseguram
a todo cidadão o direito de ter acesso a documentos
contáveis da gestão pública.
O vice-prefeito,
Antônio Jackson Moura, candidato da situação
a prefeito do município pelo PTC, infringiu a
lei ao negociar com a prefeitura. O MPE possui cópias
de processos de pagamento, notas de empenho e notas
fiscais – inclusive assinadas pelo próprio
Moura – que provam que sua papelaria forneceu
livros e material escolar à prefeitura. Segundo
a legislação, secretários, prefeitos,
vice-prefeitos e vereadores, bem como seus parentes
diretos, não podem negociar com a prefeitura.
Todos os acusados foram procurados pela reportagem,
mas se negaram a prestar declarações.
O prefeito
e seu filho Tércio assinaram a notificação
na residência no primeiro, na Rua Antonio Serapião.
Eles se recusaram ir à sede da prefeitura devido
à presença da equipe de reportagem. A
secretária de Ação Social não
assinou a notificação judicial por estar
em Feira de Santana. A única acusada a assinar
a notificação na prefeitura foi Maria
Gilcélia.
PAVIO –
Os afastamentos nas vésperas das eleições
municipais podem fazer com que o município fique
sem prefeito por vários dias. Isso por que se
algum vereador assumir o cargo – como determina
a lei – vai ficar inelegível para o pleito
de domingo. A presidente do legislativo municipal, Alvanir
Evangelista (PHS), da base de sustentação
de Carlos Afonso Oliveira, é candidata à
reeleição. Se nenhum vereador assumir,
caberá ao juiz Luís Roberto Pereira exercer
o cargo durante o afastamento de Oliveira.
Teofilândia
é um barril de pólvora. O juiz e a promotora
Dahiane Bulcão foram alvo de ameaças de
morte por pessoas ligadas ao prefeito no final do ano
passado, quando a promotora – recém-chegada
ao município – abriu inquérito civil
para investigar denúncias de improbidade administrativa
na gestão municipal. Devido a notícias
vindas da comunidade sobre a presença de pistoleiros
e pessoas suspeitas no município, o magistrado
e a promotora pediram proteção especial
à Secretaria Estadual da Segurança Pública.
A Justiça Eleitoral também analisa solicitar
reforço para garantir as eleições.
O prefeito
Carlos Afonso Oliveira está entre os 274 prefeitos
baianos acusados pelo Tribunal de Contas da União
de estar com as prestações de contas irregulares.
Teofilândia também está entre os
159 municípios da Bahia que não prestaram
contas ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Escola
(FNDE) em 2002. No final do último mês
de julho, o município foi sorteado para ser alvo
de fiscalização da Controladoria Geral
da União (CGU). Populares flagraram funcionários
municipais jogando documentos públicos no lixão
da cidade.
Os documentos,
muitos rasgados ou amassados, foram recuperados e entregues
ao MPE. São processos de licitação,
notas fiscais, processos de empenho. Alguns em perfeito
estado que, segundo a promotora, estão sendo
analisados e podem servir de base para novas ações
de improbidade administrativa.
Os afastamentos
coincidiram com um dos maiores showmícios da
campanha de Antônio Jackson, que contaria com
a presença de bandas de arrocha e dos deputados
Fernando de Fabinho (federal pelo PFL) e Paulo Azi (estadual
pelo PFL). O showmício e os afastamentos por
improbidade administrativa agitaram o município
no final da tarde de ontem. Partidários do prefeito
e de candidatos de oposição – Adolfo
(PMDB) e Maria das Dores (PT) – se confrontavam
verbalmente. Felizmente, sem partirem às vias
de fato. Pelo menos até o fechamento desta edição
(21 horas).
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