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30/08/2004
PT
não pode usar ACM na tevê
Justiça
acolhe representação do senador e proíbe
utilização de sua imagem na propaganda
eleitoral do adversário
Patrícia
França
A coligação
Salvador Pra Toda Gente, do candidato a prefeito Nelson
Pelegrino (PT), está impedida de veicular fotos
ou imagens do senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL) em sua propaganda eleitoral. A decisão
foi tomada ontem, pelo juiz Osvaldo de Almeida Bomfim,
da Comissão de Propaganda do Tribunal Regional
Eleitoral, ao analisar ação movida por
ACM e entender que a coligação oposicionista
atacou a honra do senador ao se referir à sua
corrente política – o carlismo - no programa
veiculado no último dia 25 (horário noturno).
O candidato
do PFL, senador César Borges, também conseguiu,
em outra ação movida pelo advogado Ademir
Ismerim, que a juíza da Propaganda Eleitoral,
Rosita Falcão de Almeida Maia, determinasse a
suspensão imediata do mesmo programa. Com base
nas fitas anexadas aos autos, a juíza considerou
que as palavras e imagens veiculadas no programa eleitoral
ridicularizam o candidato governista, ao ser comparado
a um poste.
No programa
da coligação petista, é dito que
o “carlismo nasceu e cresceu durante a ditadura
militar”, regime em que os governantes “faziam
o que queriam sem precisar dar satisfação
a ninguém, nem ao povo nem à Justiça”.
Mais adiante diz: “A ditadura acabou, mas o carlismo
continua o mesmo”. A referência ao candidato
César Borges se dá na seqüência:
“Houve um tempo, na Bahia, em que se dizia que
o carlismo era capaz de eleger um poste. O carlismo
não elegeu um poste. Elegeu César Borges”.
O juiz Osvaldo
Bomfim entendeu que na montagem com textos e fotos,
na qual é mostrado o confronto de policiais com
estudantes na Universidade Federal da Bahia, também
houve afronta à legislação eleitoral.
Enquanto as imagens eram transmitidas, o locutor dizia:
“Essas são cenas da ditadura. Não
da ditadura militar; da ditadura de um grupo político
que não respeita a liberdade e usa a força
contra manifestações pacíficas;
16 de maio de 2001, no governo César Borges,
a polícia militar invade o campus da Ufba, agride
os estudantes e os professores. 16 de maio de 2001;
Salvador não esquece esse dia”.
O coordenador
da campanha de Nelson Pelegrino, deputado estadual Emiliano
José (PT), disse que não iria comentar
a decisão da Justiça, a que cabe recurso,
preferindo assegurar que o programa eleitoral se ateve
a “fatos históricos irrefutáveis”.
Para ele, dizer que “ACM foi criador e criatura
da ditadura, que foi um homem da truculência e
do autoritarismo na Bahia e no Brasil, não há
inverdade nenhuma”.
Quanto a
César Borges, lembrou que foi ele, quando governador
da Bahia, “que perpetrou um verdadeiro massacre
contra a nossa juventude, ao mandar as tropas da PM
invadirem o campus da Ufba”.
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