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30/09/2004
Campanha de Salvador ganha força no final
Samuel Celestino
A militância do PT baiano entrou na campanha, principalmente de Salvador, nesta semana que marca o fim do esforço eleitoral em primeiro turno. O presidente nacional do PT, José Genoino, que seqüenciou José Dirceu e ontem passou o dia na cidade, agitou (e agitar é mesmo o verbo) os militantes numa longa caminhada que começou no Largo da Sete Portas, atravessou a Baixa dos Sapateiros, chegou à Estação da Lapa e só terminou na sede do partido, nos Barris.
Genoino incendiou nos discursos - o estilo foi mesmo carbonário - ao gritar que "cada hora vale por um dia e cada dia vale por uma semana". O esforço dos petistas é levar o candidato Nelson Pelegrino para o segundo turno, num momento em que o partido entra em euforia e a mesma coisa não parece acontecer com o senador César Borges, posto que as últimas pesquisas demonstram que o candidato carlista se desestabilizou neste final de processo.
O presidente nacional do PT reforçou a candidatura Pelegrino considerando-a "uma prioridade para o projeto de governabilidade do presidente Lula, projeto que passa por resultados eleitorais expressivos nas principais capitais e grandes cidades do País".
A grande interrogação das eleições de domingo reside no confronto entre o senador Borges e o deputado Pelegrino pelo segundo lugar. Genoino analisou com o candidato as últimas pesquisas e ouviu relatos de petistas e militantes do PCdoB, que integram a coligação. O projeto do candidato é subir de oito a dez pontos na reta final e surpreender para enfrentar o candidato João Henrique, este disparado nas pesquisas, no segundo turno.
Embora com o impacto das dificuldades - inclusive no horário eleitoral gratuito com a veiculação das declarações que fizera sobre Jequié - o candidato carlista ainda é considerado como nome de chegada. O quadro, no entanto, complicou-se para ele que até já aparece nas pesquisas (projeções para o segundo turno) perdendo para o petista Nelson Pelegrino.
A sucessão de Salvador passou a ficar muito interessante. O senador tenta se manter em segundo lugar, e Pelegrino reúne forças para ultrapassá-lo.
Curto-circuito - I
A campanha sucessória do vizinho município de Camaçari entrou em curto-circuito, e o choque foi tamanho que incinerou todos os candidatos a vereador pelo PRP, Partido Republicano Progressista, e, ainda por cima, culminou com a dissolução do diretório municipal do partido, por decisão do diretório regional.
Tudo por conta da "virada" do ex-candidato à prefeitura, Ferreira Ottomar, da coligação PRP, PTB e PSDC, que resolveu, na última hora, renunciar e apoiar o candidato Luiz Caetano (PT).
O ato do ex-candidato Ferreira Ottomar (este cidadão já andou envolvido em denúncias sobre crime ambiental, especificamente destruição de dunas), ontem, entendi, foi mesmo um tiro no pé e, ao invés de ajudar o candidato petista, pode tê-lo prejudicado.
Curto-circuito - II
O presidente regional do PRP, Jorge Aleluia, ao tomar conhecimento da desistência do candidato seguida de apoio - o que gerou desconfianças e tomou conta do horário eleitoral na condição de escândalo - comunicou ontem ao TRE a "anulação da convenção da escolha de candidato à chapa majoritária e proporcional do PRP" e coligação com o PTB e outros partidos.
Ao anular a convenção e intervir no diretório municipal, dissolvendo-o, o PRP perdeu todos os seus candidatos a vereador, como, também, a comissão executiva e suplentes do município de Camaçari. O Diretório Regional entendeu que "houve desrespeito e violação do estatuto do partido".
Agora, os candidatos a vereador que nada tiveram a ver com a decisão do candidato a prefeito Ferreira Ottomar, renunciando para apoiar outra candidatura, acabaram pagando a conta a um preço salgadíssimo.
A coligação tinha 24 candidatos a vereador. A dissolução do Diretório do PRP sepultou, em cova rasa, 16. Ficaram apenas oito mohicanos vinculados ao PTB e ao PSDC.
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