Vozes
do golpe
Karen Souza
Professores, estudantes e historiadores se reúnem,
a partir de hoje, até o dia 4 de junho, no campus
da Federação da Universidade Católica
do Salvador, para discutir o golpe militar de 1964 no
Brasil. O encontro acontece pelo III Simpósio
de História e, além de debates, palestras
e mesas-redondas, constará de oficinas e lançamento
de livros.
A idéia é discutir o golpe
e promover um debate sobre a época. As intervenções
contam com a presença de historiadores que pesquisaram
e testemunharam o tema, de militantes políticos
e de ex-guerrilheiros. Hoje (31/05), às 19h30,
o professor Jorge Ferreira, autor e organizador da coleção
História da Civilização Brasileira,
abre as discussões com o tema Caminhos e Descaminhos
da História: Golpe de 64.
Amanhã (01/06), o que entra na
roda das discussões são as resistências
Ao golpe, por meio de uma oficina sobre a tortura, seguida
de mesa-redonda – com os professores Sérgio
Armando Diniz Guerra, Antônio Britto e Paulo Pontes.
Na quarta-feira, militantes políticos falam sobre
a época. O ex-guerrilheiro Mauro Fernando de
Souza é um dos participantes. Ele integra a mesa-redonda
Sujeitos e Memória dos “Anos de Chumbo”,
que conta também com a participação
de Emiliano José e Ana Guedes.
RESISTÊNCIA MUSICAL – Para
o chefe do Departamento de História da Ucsal,
Fábio Paes, é importante revelar as experiências
da época para as novas gerações.
“Foi um movimento que deixou marcas profundas
na sociedade brasileira e castrou uma série de
expectativas”, acha ele, que será um dos
palestrantes do penúltimo dia de encontro.
Ele acredita que, para entender o processo
e as conseqüências do movimento, é
preciso “ouvir as vozes que durante o período
foram censuradas”. Paes vai abordar a parte musical
do movimento, na mesa-redonda intitulada Censura e Artes
no Pós-Golpe de 1964. O historiador Jorge Novoa
também participará do debate.
Fabio Paes vai falar sobre a música
da época como um fator de resistência.”A
partir de músicas como Caminhando (Geraldo Vandré),
Levantados do Chão (Chico Buarque) e tantas outras,
houve uma projeção do Brasil no mundo
todo”, acredita.
O encerramento do encontro acontece
na sexta-feira, com um painel interativo e conferência
do professor Carlos Fico, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro. No mesmo dia, o historiador Marco Villa
lança, às 18 horas, o livro Perfil de
Jango.
Serviço