Prefeitura de Salvador responderá
a ação civil pública por se omitir
sobre a ilegalidade, praticada na Avenida Paralela.
Emiliano é um dos autores da denúncia
Marconi de Souza
As empresas Bahiapar e Bahia Eventos Ltda., que pertencem
aos filhos e netos do senador Antonio Carlos Magalhães,
alugaram o canteiro central da Avenida Paralela, como
se fossem donos, a uma terceira empresa (Well Park).
O espaço foi alugado para servir
de estacionamento nos dias de shows do Festival de Verão,
sem nenhuma autorização da Prefeitura
Municipal de Salvador. O Ministério Público
concluiu o inquérito e está entrando com
uma ação civil pública contra os
responsáveis.
A história teve início
com a Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia (Seagri),
que autorizou as empresas dos herdeiros de ACM a realizar
eventos no Parque de Exposições, entre
os quais o Festival de Verão. Criada em 1992
com capital de R$ 7,6 milhões, a Bahiapar está
em nome de ACM Júnior, dos três filhos
do falecido deputado Luís Eduardo Magalhães
e do empresário César Mata Pires, casado
com Tereza Helena Magalhães Mata Pires, filha
de ACM (veja documento nesta página). A Bahia
Eventos, dos mesmos sócios, tem um capital menor:
R$ 375 mil.
Para a realização dos
shows, as empresas dos herdeiros de ACM chamaram a Well
Park para instalar um estacionamento de veículos
no canteiro central da Avenida Paralela, no trecho em
frente ao Parque de Exposições. Em troca,
a Well Park pagou 40% dos lucros obtidos com o estacionamento
(R$ 5 por veículo).
O dono da Well Park, o empresário
Jorge Marcos Soares de Novaes, disse ao Ministério
Público que não desconfiava da ilegalidade,
até porque foi autuado por um fiscal da Secretaria
Municipal de Finanças, que lhe cobrou o ISS (Imposto
Sobre Serviços). Mesmo sabendo que não
havia permissão legal, o fiscal não o
impediu de continuar atuando no espaço público.
O secretário de Transportes Urbanos,
Ivan Barbosa, assinou documento e enviou ao Ministério
Público afirmando que não deu “qualquer
autorização ou licença a quem quer
que seja para instalar, ainda que temporariamente, estacionamento
naquela área pública”. A mesma afirmação
foi assinada pelo procurador-geral do município,
Graciliano Bomfim, no Ofício de nº 121/02,
enviado também ao Ministério Público.
A direção da Bahia Eventos diz que alugou
o espaço porque “precisava organizar e
prestar o serviço de estacionamento” (leia
abaixo).
OMISSÃO – A promotora Heliete Rodrigues
Viana, do Centro de Apoio Operacional à Proteção
da Moralidade Administrativa e do Patrimônio Público,
já finalizou o inquérito e disse que está
entrando com ação civil pública
contra os responsáveis.
“Já temos elementos suficientes
para impetrar ação pelo menos por omissão
por parte do município. Como a empresa que alugou
era de herdeiros de político com influência
local, pode-se falar em pré-omissão”,
avaliou.
O vereador Celso Cotrim e o
deputado Emiliano José, ambos do Partido dos
Trabalhadores (PT), que acionaram o Ministério
Público para investigar o caso, ressaltaram que
as conseqüências jurídicas não
ficarão restritas ao aluguel ilegal da área
pública.
“ACM Júnior era senador
quando a Secretaria da Agricultura autorizou a exploração
do Festival de Verão. Como podia uma empresa
dele ser beneficiada?”, questiona Cotrim.
Pelo contrato assinado entre a Bahia
Eventos e a Seagri, o Estado deveria receber quatro
veículos zero quilômetro ao fim de cada
Festival de Verão. Uma das cláusulas especifica
os veículos: uma Kombi e três Fiat Palio.
Celso Cotrim disse que a Secretaria da Agricultura do
Estado “tem a obrigação de mostrar
os veículos que recebeu à população”.
“Não dá
para acreditar que a família do senador realize
um evento daquele porte, com o apoio total da máquina
do Estado, alugue ilegalmente área pública
para estacionamento, e só pague quatro carros
de pequeno valor para o Estado. Isso é melhor
do que pescar com bomba”, avalia o deputado Emiliano
José.
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