Saúde
Comitiva
de deputados visita o Roberto Santos
Iniciativa
dos parlamentares decorre da morte de nove bebês
na unidade
Jair Mendonça
A morte de nove bebês recém-nascidos no
berçário de alto risco do Hospital Geral
Roberto Santos, entre os dias 4 e 19 de setembro, é
a ponta do iceberg de um problema grave: superlotação
e deficiências em setores importantes como emergência
e UTI. Durante a visita de uma comitiva de deputados
estaduais da oposição, na manhã
de ontem, ao hospital, funcionários e acompanhantes
de pacientes fizeram várias denúncias.
Segundo a enfermeira Inalba Fontenelli,
funcionária há 14 anos do HGRS e diretora
do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Estado-Sindsaúde,
um paciente morreu há 21 dias, na emergência
do hospital, vitimado por aneurisma cerebral. Nenhum
procedimento foi feito. Ele foi transferido do Hospital
Geral do Estado para o Roberto Santos na tentativa de
se submeter a uma cirurgia. Há informações
de que o aneurisma chegou a ser diagnosticado precocemente.
Inalba Fontenelli fez a denúncia
na presença dos deputados, do chefe de gabinete
da Secretaria de Saúde do Estado, Wedner Costa,
e da diretora do hospital, Silene Dantas, que não
a contestou.
A comitiva parlamentar foi integrada
pelos deputados Javier Alfaya e Álvaro Gomes
(PCdoB), Lídice da Mata (PSB) e Emiliano José
e Moema Gramacho (PT). E ainda pelos presidentes do
Sindimed, Alfredo Boa Sorte, e do Sindsaúde,
Aladilce Souza.
Wedner Costa garantiu que até
o final deste ano mais 102 leitos de UTIs neonatal serão
inaugurados, sendo 46 no HGRS. A demora, explicou, é
pelo fato de haver muitas impugnações
no processo de licitação. Aladilce Souza
disse que as mortes dos bebês são apenas
um reflexo de um acervo de deficiências no hospital,
que inclui ainda falta de pessoal, de material simples
e episódios de infecção hospitalar.
“Maquiagem” – Deputados e sindicalistas
encontraram enfermarias e salas limpas, lotação
adequada e pacientes com uniformes de internamento.
Mas o dia-a-dia do hospital não é assim.
O HGRS convive com a falta de roupas. “Meu pai
estava praticamente nu até ontem à noite”,
disse uma dona-de-casa que acompanha um paciente em
uma das enfermarias do 2º andar. Uma enfermeira
informou que o aparelho de angiografia (indispensável
para a realização de exames que aponta
o nível de circulação do sangue
em pacientes com diabetes) está quebrado.
Durante a noite de quinta-feira, segundo
denúncias, também houve transferência
de muitos pacientes para outros hospitais, diminuindo
a superlotação. O pai de A.M.J., procedente
de Santo Antônio de Jesus, foi transferido para
a UTI depois de uma espera de 49 dias numa enfermaria,
segundo informou a filha. O drama do paciente não
é único. A superlotação
é um problema com o qual o HGRS convive há
muitos anos. No berçário de alto risco,
que tem capacidade para 34 crianças, normalmente
há 38. O quadro funcional também está
em déficit. O orçamento do hospital foi
reduzido, embora a demanda tenha aumentado em 40%.