
18/09/2003
Justiça
Secretário
mostra só três veículos
Cíntia
Kelly e Marconi de Souza
A
Bahia Eventos Ltda. não cumpriu à risca
o contrato firmado com a Secretaria de Agricultura e
Irrigação do Estado, que cedeu o canteiro
central da Avenida Paralela para realização
do Festival de Verão do ano passado. Em troca
a Seagri teria que receber da empresa, de propriedade
de herdeiros do senador Antonio Carlos Magalhães
(PFL-BA), quatro veículos zero quilômetros
no prazo de 48 horas antes do início do evento,
ocorrido entre os dias 30 de janeiro e 2 de fevereiro.
Mas não foi o que aconteceu. Os automóveis
só foram entregues à secretaria em setembro
de 2002.
De
acordo com o contrato, a Bahia Eventos cedeu à
Seagri uma Kombi e três Fiat Palio. A Kombi e
dois Palios foram levados ontem para o estacionamento
da Assembléia Legislativa a pedido do secretário
de Agricultura, Pedro de Deus, como forma de responder
ao questionamento do deputado estadual Emiliano José
(PT). O parlamentar exigiu que a Seagri dissesse o que
havia recebido pela concessão do Parque de Exposição.
No
pára-brisa da Kombi, placa JPK 2841, estava afixado
o documento de doação dos veículos.
O documento, assinado pelos diretores da Bahia Eventos
Maurício Brito Magalhães e Isaac Chaves
Edington, datava do dia 3 de setembro de 2002, portanto
oito meses após o prazo legal.
Duto
– O deputado Emiliano José (PT) afirmou
ontem, em plenário, que o negócio feito
pelos filhos e netos de ACM – que alugaram espaço
público dos canteiros centrais da Avenida Paralela
– “reflete a educação antiética
que receberam em casa, ou seja, o sentimento de que
a capital baiana e o próprio Estado pertencem
à família Magalhães, como propriedade
particular deles”.
Segundo
o deputado, “não há sequer um pequeno
esforço para dourar a pílula, é
tudo feito muitos às claras, mas com regras de
uso da propriedade privada e não do bem público”.
O deputado voltou a afirmar que “repetidas vezes”
tem denunciado “a existência de um duto
que drena recursos do Estado e da prefeitura para os
cofres da família ACM”.
A
repercussão do caso é grande na cidade.
Vale ressaltar que alguns leitores que se chamam Maurício
Magalhães pediram que se colocasse na íntegra
o nome do diretor-executivo das empresas dos netos de
ACM. Ele se chama Maurício Brito Magalhães,
um dos responsáveis por assinar o contrato ilegal.
Os homônimos alegam que estão tendo constrangimentos
com a repercussão.
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