Uma foto de Tito de Alencar Lima, o
Frei Tito, é a última imagem do documentário
"Ato de Fé", que trata da relação
dos frades dominicanos com a Aliança Libertadora
Nacional (ALN) e será exibido hoje pela Rede
SescSenac.
O filme narra fatos já bem conhecidos
da luta armada na voz de alguns de seus personagens.
Os depoimentos dominam o documentário, sobretudo
os dos frades. São complementados por algumas
--não muitas-- imagens de época.
A morte de Frei Tito foi emblemática
da luta contra a ditadura. Ele foi preso em 1969, acusado
de subversão. Depois de torturado, tentou se
matar cortando os pulsos. Exilado e com a saúde
mental debilitada, se enforcou na França, em
1974, aos 29 anos.
A tortura de Frei Tito é a mais
marcante nos depoimentos do documentário. Ele
foi um dos dominicanos que deram cobertura a ações
da ALN, das quais a mais significativa foi o seqüestro
do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969.
Essa ação pegou de surpresa
o líder da guerrilha, Carlos Marighella (1911-69),
conta o escritor Emiliano José. O guerrilheiro
previu que o seqüestro faria o governo intensificar
a repressão. "E foi o que o ocorreu",
diz o escritor.
Depois da libertação do
embaixador, o hoje assessor da Presidência Frei
Betto montou um esquema para retirar os seqüestradores
do país via Uruguai. No documentário,
ele conta detalhes do esquema, cuja descoberta atribui
a uma infiltração policial na ALN.
A morte de Marighella veio na seqüência.
Os jornais noticiaram que os dominicanos o traíram
--uma das "vergonhas máximas" da imprensa
no período, diz Roberto Romano, ex-frei dominicano
e hoje filósofo da Unicamp.
Frei Oswaldo Rezende, os ex-freis João
Valença e Ivo Lesbaupin, o jornalista Franklin
Martins (que escreveu o manifesto dos seqüestradores
do embaixador), o economista Paulo de Tarso Venceslau
--outro que seqüestrou Elbrick e que em 1997 denunciou
supostas fraudes em prefeituras do PT-- e a historiadora
Maria Aparecida de Aquino são outros narradores
de "Ato de Fé".