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25 de Fevereiro de 2010
Waldir Senador: a voz da Bahia
Por Emiliano José
A
política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza
humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É
de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de
Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube
de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei
nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à
pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.
A
pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da
formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada
no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do
ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a
situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de
modo especial, sobre a chapa ao Senado.
Houve os que me aconselharam a não morder a isca.
Mas, homem público deve esconder suas posições?
Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?
Lamento
que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que
preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à
luz do dia, sem tergiversações.
Nós derrotamos uma oligarquia
cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública,
para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais
inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner
está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano
dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano
das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é
da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e
assim temos feito.
O que impressiona em Wagner, mais do que
obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação
de novos valores - a consolidação dos valores democráticos. Ele diz
isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são
sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova
hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa
marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.
É
uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao
lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova
hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o
autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de
mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco
teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por
trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso
tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.
Temos
convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são
eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos
fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito.
Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos
da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao
PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.
O
Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser
visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma
grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto
tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o
intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto
de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.
O Senado
precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso
da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do
governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia.
Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.
Falo
de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a
democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do
Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos
do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos
desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que
seja, do caminho democrático.
Foi, junto com Darcy Ribeiro, o
último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no
exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida
dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor
universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante
da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e
de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o
ouça falar.
A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a
política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a
política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo
Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a
Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no
combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.
A Bahia,
ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o
terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O
governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz
presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar
os desafios postos pela história.
Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?
Sem dúvida, seria.
Ainda
mais quando se sabe que em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado
pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro
pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa. Seria um resgate
histórico, um grande resgate histórico
Publicado no site Terra Magazine (25/02/2010)