Emiliano é jornalista e meu amigo. É
um tipo irrequieto. É desses para quem escrever
representa a sobrevivência. Não a material,
porque esta raramente a pena consegue prover, mas a
do espírito. Às vezes, tenho a impressão
de que se ele não escrever, a vida, para ele,
perderia a graça.
E ele não escreve assim como o sujeito distante,
assim como um observador. Não. Vai fundo nos
acontecimentos.
Quer sempre saber as causas. E escreve deixando os
sentimentos vir à tona. Não pretende esconder
as emoções. Mas não sucumbe aos
argumentos fáceis, à retórica panfletária.
Escrevendo na Bahia foi, durante todo esse tempo um
arguto observador das cenas nacional e mundial. Quando
tratou dos acontecimentos locais, sempre o fez enquadrando-os
num contexto mais amplo. Recusou-se sempre à
discussão miúda. O regional para ele foi
sempre o caminho para entender o mundo.
Jornalista, escapou da tentação de tratar
os fenômenos de modo simplista. Certamente há
os que dele discordam, mas ninguém poderá
lhe jogar a pecha da simplificação. Quem
quiser polemizar com ele é bom pesquisar. Todos
os artigos deste livro – a professora Cremilda
Medina os qualifica como ensaios – têm referências
histórico-sociais.
Aquilo que os políticos, sociólogos e
economistas chamam de análise de conjuntura ganha
agora, com este livro, um importante instrumento. O
livro de Emiliano José é isso: uma impressionante
análise dos anos que vão da abertura de
Figueiredo até a Nova República.
Os estudantes de jornalismo e todos os que lidam com
comunicação ganham também um excelente
instrumento de pesquisa, inclusive quanto ao texto –
texto que não se reclama imparcial, mas que insiste
em tratar tudo com profundidade. Boa leitura.