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Exclusivo: portal de Emiliano abre o “Arquivo Renzo Rossi”

Trecho de carta enviada por César Teles, ex-preso político de São Paulo. Clique na imagem para abrir o álbum

Às vésperas do lançamento da edição em italiano de “As asas invisíveis do padre Renzo”, previsto para o início de outubro próximo, o portal do escritor e jornalista Emiliano José, autor do livro, exibe pela primeira vez parte dos documentos que o padre Renzo reuniu em seus anos de convívio com os presos políticos brasileiros e em suas visitas às cadeias, durante o regime militar. Renzo começou sua jornada em 1975, só concluída em 1981, quando o último preso político foi libertado.

A impressionante quantidade de recortes de jornais de época, cartas pessoais, cartazes, declarações eclesiais, relatórios, cartões de felicitações, além de centenas de cadernos de diários, hoje guardados na residência de Renzo em Florença, na Itália, foram as principais fontes utilizadas por Emiliano para escrever a biografia do padre italiano. Era como se o próprio Renzo antevesse que tais papéis ajudariam a contar uma parte da história do País.

Entre os documentos, há cartas pessoais recebidas de personagens importantes dos Anos de Chumbo, como José Genoíno, atual presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-integrante da Guerrilha do Araguaia, capturado na Amazônia, em 1973. Genoíno enviou carta a Renzo em janeiro de 1977, quando estava encarcerado no Instituto Penal Paulo Serazate, em Fortaleza. Em um dos trechos, ele elogia o trabalho de Renzo: “queremos dizer-lhe de nossa gratidão, do nosso reconhecimento. Tal gesto é para nós um estímulo, para continuarmos de cabeça erguida e lutando para que o nosso povo conquiste o seu destino: a liberdade, a independência e a verdadeira felicidade”.

Uma das peças mais importantes do arquivo é sem dúvida a Declaração assinada pelo arcebispo de Salvador no período 1975-1986, o cardeal D. Avelar Brandão Vilela, onde ele confere a Renzo o papel de representante da Igreja Católica junto aos presos políticos. O documento é uma espécie de “salvo conduto” para que o padre pudesse ter acesso aos presídios, contra a resistência dos militares em permitir sua entrada. Em muitas ocasiões, Renzo chegou a visitar militantes que tinham acabado de passar por sessões de tortura.

Greves de fome

Igualmente importantes são as cartas dirigidas aos juízes militares, datadas de 1977, em que os presos e presas do Rio de Janeiro anunciam o início de greves de fome, contra as más condições das prisões e pela transferência das mulheres para um presídio feminino. As greves de fome foram uma importante forma de luta dos presos políticos. A última delas ocorreu em plena decretação da Anistia, em agosto de 1979. Ilustra o processo de liberação o Alvará de Soltura do baiano Paulino Vieira, ex-preso da Galeria F, na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, que também está disponível no portal. Paulino foi solto em 29 de agosto de 1979, por força da Lei nº 6683, o “Decreto da Anistia”, promulgado um dia antes.

Entre as trocas de correspondências pessoais, destaca-se a amizade e a dedicação de Renzo à família do casal Amelinha e César Telles, ex-presos políticos de São Paulo. Renzo conheceu César em uma de suas primeiras visitas ao presídio do Barro Branco, na capital paulista. Ficou impressionado com o drama da família, destroçada pela separação imposta pela repressão. César e Amelinha foram presos em 28 de dezembro de 1972. Os dois filhos, Janaína e Édson Luis, ficaram praticamente órfãos. Um texto comovente escrito de próprio punho por Amelinha relata o drama vivido por ela e o marido, quando os dois meninos foram visitá-los no DOI-CODI, logo após sofrerem torturas. Ao ver o estado dos pais, Édson Luis, de apenas 5 anos, pergunta a eles: “mãe, vocês está doente? Por isso você está roxa? E por que o papai está verde?”

Mesmo após a liberação do casal (César Teles saiu da prisão em março de 1977), Renzo continuou dando assistência à família, para que refizessem suas vidas fora da cadeia. Ajudou-os financeiramente, inclusive. Em uma de suas cartas ao casal, em 1980, Renzo menciona este fato. Continuou também a ser um confidente. A ele, Amelinha escreveu em 1987 e lhe revela sua frustração e tristeza por ter sido expulsa do PCdoB. “Tive que enfrentar uma situação tão difícil quanto a prisão em 1972”, confessa.

 

Prefácio
"Um anjo nos cárceres", escrito por Frei Betto
Resenhas
"Memória dos anos amargos"
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O livro e o personagem na internet
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