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Jantar em Salvador reúne autor, biografado e personagens do livro

Para celebrar mais uma passagem do padre Renzo Rossi por Salvador, Emiliano José, autor de "As asas invisíveis do padre Renzo", promoveu na quinta-feira, 21/03/2003, um jantar em sua homenagem, com a presença de ex-presos políticos visitados por Renzo na cadeia, todos personagens da história narrada por Emiliano. Foi o primeiro encontro após a publicação da biografia do padre Renzo, ocorrida em agosto de 2002. Renzo atualmente mora na Itália. Está visitando o Brasil para cumprir missão religiosa em Fortaleza e para participar do lançamento do livro na capital cearense (13/03/2003) e no Rio de Janeiro (29/03/2003).

Além do padre, o jantar teve a presença de importantes atores da história política na Bahia durante a ditadura militar, como o ex-preso Benjamin Ferreira. Hoje militante do PT, ele foi o primeiro preso visitado por Renzo na cadeia. Era ativista católico na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, na Capelinha de São Caetano, periferia em Salvador, e participava clandestinamente de uma organização política que combatia o regime militar. Quando foi descoberto e preso pela repressão, em 1975, seus familiares procuraram Renzo para que este intercedesse junto aos militares, para descobrir seu paradeiro. Temiam por sua vida e que corresse o risco de ser mais um desaparecido político brasileiro. Ao iniciar uma busca desesperada pelas cadeias de Salvador, para salvar a vida de um cristão católico, Renzo encontrou a sombra da noite, viu a repressão em carne viva, nas marcas de torturas sofridas por outros presos inimigos do regime militar. O sofrimento de homens e mulheres, mesmo sabendo que a maioria deles era de confissão claramente atéia, fez Renzo decidir por uma guinada em sua missão de sacerdote: a  partir dali, iria se dedicar a levar conforto espiritual aos presos políticos e lutar por suas vidas e por sua libertação. 

Benjamin Ferreira, durante o jantar, disse que,  ao contar a história de Renzo, e da sua própria, Emiliano o fez "com uma exuberância fora do comum". José Carlos Zanetti, economista e ex-preso político e um dos que receberam a visita de Renzo na cadeia, também presente ao evento, disse que o livro de Emiliano surpreende por revelar fatos da vida de Renzo que os próprios presos políticos desconheciam. "Nós achávamos que ele tinha uma paróquia e que fosse mais provinciano. O livro deu conta de que ele visita todo país", diz. Loreta Valadares, também ex-presa política, não recebeu a visita de Renzo na prisão. Se conheceram na Suécia, onde estava exilada, quando o padre italiano peregrinava na Europa, em 1978, em busca de apoio internacional a favor da anistia aos presos políticos brasileiros. Ela acredita que a biografia de Renzo deveria ser lida por  todos que desejam conhecer esse momento da história brasileira, "pois  fala exatamente do momento em que os presos políticos precisavam de assistência e defensores, e Renzo cumpriu esse papel".

Leia a seguir outros depoimentos dos ex-presos políticos e amigos de Renzo, que participaram do jantar em sua homenagem:

José Carlos Zanetti,  economista, ex-preso político: "O livro teve a felicidade de pegar a trajetória e a própria conversão do Renzo. A motivação dele era principalmente uma motivação cristã de solidariedade, mas ao mesmo tempo ele foi robustecendo a sua solidariedade com conteúdo político, na medida em que ele foi se encantando com o mundo e com as histórias da cadeia. E Emiliano foi fiel ao retratar isso. É mais um apêndice que Emiliano trás para compor a história do Brasil. Ele já escreveu sobre Marighela e sobre Lamarca. Emiliano tem se constituído em um dos grandes cronistas daquele tempo.

Paulo Pontes, professor de economia, ex-preso político: "Um livro é sempre menor do que uma pessoa como o padre Renzo. Tenta ser fiel ao máximo, fica insuficiente, mas é um registro importante. O trabalho de Renzo na periferia não tem no livro a dimensão que o autor deu à luta política. Claro que nós, presos políticos, adoramos".

Loreta Valadares, ex-presa política: "O livro sobre Renzo deveria ser lido por toda sociedade, pois resgata a história de um momento importantíssimo no Brasil, quando os presos políticos precisavam de assistência e defensores. E Renzo cumpriu esse papel. A Renzo nós devemos em parte a vitória da anistia". 

Lídice da Mata, deputada estadual (PSB-BA): "O livro tem uma importância muito grande, pois recompõe o papel que o padre Renzo desempenhou na luta para garantir aos presos políticos do Brasil um mínimo de direitos humanos e a conquista da anistia. E de Renzo, eu não posso falar, porque sou suspeita. Quando era vereadora, Transformei ele em Cidadão de Salvador".

Luís Contreras, ex-preso político e militante  comunista: "Conheci Renzo na prisão. A ação de dele foi uma coisa extraordinário, porque não sendo político, não ligado a nenhuma corrente, se dedicou a visitar todos os presos políticos, em todas as prisões do Brasil, correndo risco de vida, por um sentimento de humanidade. Isso é uma coisa que me emociona".

Sérgio Santana, ex-preso político, presidente da ONG Pangea: "Padre Renzo é para todos nós uma pessoa extraordinária, pois além de ser quem ele é, demonstrou em todo período da ditadura, uma abnegação, uma vontade de fazer do apoio aos presos políticas uma luta por sua libertação, até por sua salvação em muitos casos, uma missão de sacerdócio. A maioria de nós, inclusive, nem somos religiosos. Eu, por exemplo, sou marxista, mas aprendi a ter uma nova dimensão do que é a sinceridade de uma pessoa religiosa".

Augusto de Paula, advogado: "O livro de Emiliano diz quem é o padre Renzo. E diz com muita profundidade, com muita certeza. É um livro extremamente verdadeiro. Renzo é essa pessoa que brinca, que dá tapa no rosto da gente, procura saber como a gente está. E ao mesmo tempo é a pessoa que vai na cadeia visitar os presos, defendeu vários, ajudou do ponto de vista espiritual e financeiro. E a contribuição maior foi salvar muitas vidas. Talvez, sem o padre Renzo, não tivéssemos a possibilidade de estarmos todos aqui".

Carlos Valadares, militante do PCdoB: "Conheci o padre Renzo quando ele participava das campanhas contra a ditadura militar no Exterior, na Suécia. Eu era exilado político. Trabalhávamos com a Anistia e com o Movimento Internacional pelos Direitos Humanos. E o padre Renzo esteve conosco e ajudou bastante, com essa visão de que havia uma necessidade de unir todos por aqueles princípios básicos, contra a tortura, pela liberdade dos presos e do povo brasileiro. E no Brasil, ele participou durante todo o tempo, dos períodos mais difíceis da ditadura militar, da sua etapa terrorista, visitando todos os presos, independente saber se ele era cristão, comunista, etc. Bastava estar na condição de preso que ele levava uma palavra de conforto: 'pode ficar tranqüilo, pois nós estamos lutando por vocês. Vamos conseguir an

 

Prefácio
"Um anjo nos cárceres", escrito por Frei Betto
Resenhas
"Memória dos anos amargos"
Links
O livro e o personagem na internet
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