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Guido e Rosselini
Guido mal acordara. Angustiado com as dívidas da 35ª Jornada Internacional de cinema. E uma notícia, chegada da Itália, o torna sorridente, feliz: a Jornada Internacional de Cinema da Bahia havia sido agraciada com o Prêmio Roberto Rossellini 2008. - 03/11/2008
Violência e criança
A violência contra a mulher e a criança tem me impressionado de modo muito especial nos últimos tempos. Houve meses em que muito raramente não se via a notícia da morte de uma mulher por seu companheiro, marido, namorado, o que fosse. Ou violência decorrente de alguma briga ocasionada por alguma divergência, no mais das vezes trivial, ou, então, em conseqüência daquilo que o homem considerasse traição... - 14/07/2008
O inimigo mora ao lado
Há uma espécie perigosa de senso comum segundo o qual não se deve discutir o que ocorre entre quatro paredes. É como se no interior da casa de cada um tudo fosse permitido. E é nesse interior que se esconde um impressionante caudal de violência, que deve inegavelmente ser discutido pela sociedade e objeto de leis que o reprimam. Há, de modo particular, uma brutalidade criminosa e cotidiana contra mulheres e crianças. - 30/06/2008
Lições de paixão
Acabei de ler O Vermelho e o Negro. Recebi lições de paixões. De exercício político sobre paixões. Sthendal foi um ser atormentado. Quem quer que se debruce por sobre a história dele encontrará um ser apaixonado. Cultivava o vício de apaixonar-se. E bastava que o objeto de sua paixão atendesse aos seus clamores para que ele, incontinente, o deixasse de lado. Foram muitas as mulheres de Sthendal. - 16/06/2008
Celso Furtado, Brasil e Nordeste
No momento em que se discute a nova Sudene, não custa lembrar, com duas ou três palavras, a importância de Celso Furtado, que soube como poucos imaginar um Brasil republicano e democrático. Um livro editado pela Fundação Perseu Abramo, em 2000, resultado do seminário Celso Furtado e o Brasil, reúne densos depoimentos de Maria da Conceição Tavares, Juarez Guimarães, José Luís Fiori, Maria Regina Nabuco, Tânia Bacelar, Wilson Cano e Francisco de Oliveira sobre o extraordinário intelectual. - 02/06/2008
Rita e seu anjo Gabriel
Um espectro ainda parece rondar a sociedade brasileira: o espectro do Código de Menores, que vigorou entre 1927 e 1990. Naquele estatuto, crianças e adolescentes eram menores, imorais, e suas famílias, promíscuas, vadias, ociosas. Por isso, por essa condição, as famílias que vivessem sob o estigma da situação irregular – e veja que a chamada situação irregular sempre dependia do ponto de vista de quem a classificasse assim – aquelas famílias... - 19/05/2008
68: assalto aos céus
O passado não se entrega a nós: ele só nos envia sinais cifrados, que dão conta, misteriosamente, de seus anseios de redenção. Cada geração recebe uma escassa força messiânica para perceber esses anseios do passado. É a partir da nossa luta presente que podemos entrever a verdade das lutas que ocorreram antes. A recuperação do passado se dá na forma de recordações que cintilam num momento atual de perigo. - 05/05/2008
Ao Joca, com carinho
João Carlos Teixeira Gomes é um dos grandes nomes do jornalismo baiano. Tenho por ele estima e admiração. Cometeu equívocos, no entanto, no último artigo publicado neste jornal. Pretendeu contestar avaliação que faço sobre a grande imprensa no Brasil, inclusive sobre o Jornal da Bahia, quanto à atitude em relação à ditadura. - 21/04/2008
Um novo desenvolvimento
O século que passou foi marcado por uma específica noção de desenvolvimento: país desenvolvido era país industrializado, o que tinha que acontecer a qualquer preço. Não importava que isso acontecesse em prejuízo do meio ambiente que, aliás, nem era lembrado. O homem destruía a natureza com absoluta tranqüilidade, sem se perguntar sobre os impactos de longo prazo para a sobrevivência da humanidade. Era como se os recursos naturais fossem inesgotáveis. Uma idéia específica de progresso. - 07/04/2008
Novo Nordeste, nova Bahia
Já houve um momento, na história brasileira, em que o Nordeste era tema quase obrigatório. Discutia-se de modo amplo o destino da região. O debate girava em torno do descompasso entre o desenvolvimento do Centro-Sul e a pobreza nordestina. Às vezes, um debate equivocado, que escamoteava a lógica implacável da acumulação capitalista, que sempre implicou no chamado desenvolvimento desigual e combinado. - 24/03/2008
A política e o Judiciário
Em princípio, segundo os paradigmas do chamado Estado de Direito democrático, o Judiciário, de modo muito especial, deveria evitar imiscuir-se no território da política. Evidente, elementar dizê-lo, que qualquer ação humana é política, num sentido muito amplo. No entanto, há o campo específico da atuação do Judiciário que, por ser o julgador, deve evitar dar opiniões políticas, quanto mais quando elas se referirem a causas que podem vir ainda a serem julgadas. É esse o debate que envolveu nos últimos dias o presidente Lula e o presidente do TSE, Marco Aurélio Mello. - 10/03/2008
Amores, paixões, turbulências
Há um texto atribuído a Danielle Miterrand que me chamou a atenção de modo muito particular. Ela discute o amor. E o faz de modo surpreendente para os padrões a que nos acostumamos – ou que o senso comum nos ensinou a pensar no contexto de uma sociedade autoritariamente monogâmica. Quem entende ou pelo menos luta para compreender as variações do outro o ama realmente, dirá ela, para completar que, agindo assim, “nunca poderá dizer que foi enganada ou que jamais enganou”. - 25/02/2008
O indivíduo e a história
Há uma reflexão que atravessa os séculos, aquela que pretende discutir o papel do indivíduo na história. Uma visão idealista leva ao raciocínio mítico de que o líder é o que determina o curso dos acontecimentos. Por isso, estamos acostumados a falar de períodos históricos vinculando-os a indivíduos, e não a movimentos sociais, às massas, que certamente são os que fazem a história. - 11/02/2008
Democratizar o carnaval
O encantamento diante de um texto como o de Ruy Espinheira nesse mesmo jornal sobre o carnaval pode provocar em nós reflexões semelhantes, voltando-nos para o passado. Como, no entanto, ele já navegou pelos carnavais que passaram, vou resistir à tentação e discutir o carnaval atual. - 04/02/2008
Havana, Besame Mucho
Havana. Faz frio. 1º de janeiro de 2008. Ano do cinqüentenário da Revolução Cubana. As ondas selvagens do Mar do Caribe jogam água no Malecon. Havana e suas ondas e seu frio evocam saudades. Envolvem o coração em lembranças de outros mares. A alma se distancia cada vez que o mar se confronta com a amurada, invadindo as ruas. Olho para a imensidão de mar, verde mar. Verde que te quero verde. Havana de Hemingway. De Martí. Havana de La Bodeguita Del Medio. De La Floridita. Do Lluvia de Oro. Havana Vieja. Poesia. Paixão. - 21/01/2008
Esquerda, fins e meios
Sem teoria revolucionária, não há prática revolucionária. O axioma é antigo, tem coisa de quase um século, vem de Lênin, e continua atual. É dele que parto para falar da herança stalinista, de que a maioria dos partidos de esquerda no Brasil não se livraram. São muitas as marcas teórico-práticas deixadas pelo modelo autoritário, centralizador que Stalin impôs na União Soviética, onde implantou um regime de terror e onde se praticou um autêntico genocídio. Nem sua morte, nem o Relatório Kruschev de 1956 foram capazes de condenar ao museu da História as idéias que ele executou por mais de duas décadas na antiga URSS. - 08/01/2008
Susto, normais, anormais
Curioso seja eu assaltado pela idéia do susto. É uma palavra bonita: susto. Cheia de imprevistos. Assusta. Outro dia falava dela, numa palestra no Ministério Público. O assunto era a imprensa e as pessoas com deficiência. O susto pode vir sozinho ou acompanhado. Pode ser um ou muitos. Pode ser uma ventania, anúncio súbito de vida. Pode ser puro assombro, acompanhado do medo. Pode vir de braços dados com quase pânico. E palavras são armas perigosas. Nós não temos noção da força que elas carregam. Nunca são proferidas impunemente. - 24/12/2007
UFBA: crise de transformação
Há um livro cuja leitura recomendaria a todos quantos queiram compreender como agem os setores conservadores, à direita e à esquerda, quando situações de mudança se apresentam. Não se trata de um texto muito grande, coisa de 150 páginas. É de Albert Hirschman, e leva o título A retórica da intransigência – perversidade, futilidade, ameaça. Quando o reli agora, pude entender melhor a crise de transformação por que passa a universidade brasileira e a UFBA em particular. - 10/12/2007
Simone de Beauvoir
Há mulheres cujas trajetórias me fascinam. Rosa Luxemburgo, que desafiou o seu tempo e alçou vôos inimagináveis para uma mulher naquela quadra histórica, uma delas. Agora, me vem à mente a lembrança de outra mulher que também deixou marcas profundas na história, com outro tipo de contribuição, não propriamente regada a sangue, como no caso de Rosa, assassinada por bestiais contra-revolucionários alemães. Falo de Simone de Beauvoir. - 26/11/2007
Mídia, Poder e Democracia
A criação de Observatórios de Mídia e sua articulação em redes devem ser estimuladas, de modo a que se possa acompanhar democraticamente as atividades da mídia no País. Por que, afinal, a mídia deveria ser uma exceção, constituir uma atividade sem qualquer acompanhamento social? - 20/11/2007
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Emiliano lança livro sobre sobre Victor Meyer, um revolucionário baiano
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11/07/2008
Em Coité, primeira chapa “puro sangue” petista
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Nas asas da imaginação, no embalo da indignação
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Sexo, ternura, sensibilidade
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